A escolha do filme se deu pelos aspectos futuristas tão presentes ainda no imaginário de nossa sociedade, como na cena dos programas de tevê interativos, o que torna o próprio conteúdo mais atrativo ao aluno do ensino médio. As discussões filosóficas poderão girar em torno de várias perspectivas, mas, a princípio, será proposta uma discussão acerca do cinema, questões de filosofia política e questões existenciais.

Sinopse: Filme do diretor François Truffaut, de 1966, ambientado em uma sociedade fictícia de um futuro hipotético, rodado em 112 min. O filme trata de uma sociedade que é regida por um sistema de governo, “família”, que impõe hábitos específicos a cada um. Um destes hábitos é a proibição da leitura ou posse de livros.

O próprio nome do filme retrata este fato, pois 451 é a temperatura, em fahrenheit, na qual o papel pega fogo. Assim como em governos totalitários de nossa história, este governo criou uma instituição para investigar e punir que fugisse à regra. Os “bombeiros”, em clara contradição à profissão por nós conhecida, eram instruídos a queimar qualquer livro que fosse encontrado e punir quem fosse encontrado portando um. Os livros eram considerados impróprios e perigosos para o bem estar da sociedade. Contudo, assim como em nossa história, havia um movimento de resistência. Que, além de tentar manter a posse dos livros, gravavam as obras, tornando-se assim o próprio livro. Passavam a se chamar a própria obra lida e decorada, e viviam em comunidades.

O filme mostra o personagem de Montag, bombeiro, que se junta ao movimento de resistência e consegue, por isso, ter uma visão do motivo pelo qual os livros foram proibidos na sua sociedade. Esta descoberta o faz perceber que o livro o ajuda a pensar por si mesmo, sem a necessidade da “família”, ou de um Estado autoritário. E é a partir disto que tentaremos elucidar alguns conteúdos filosóficos.

A partir da exposição do filme buscaremos tratar conceitos de estado de natureza, contrato social, justiça e Estado, temas tão pertinentes na filosofia política contratualista hobbesiana. Posto isso, iremos tratar questões existenciais, observadas em um dado momento do filme, onde o personagem principal ao ler um livro vai colocar tudo, em torno da sua própria vida, em questão. A liberdade do pensamento e da sociedade como um todo, em caráter político e existencial, será também discutida.

Bibliografia: Usaremos o Leviatã, de Thomas Hobbes, para dar um embasamento teórico à discussão.

Texto para o ensino médio:

No filme, Fahrenheit 451, podemos observar uma sociedade fictícia regida por um governo totalitário e aceito sem discussões, por boa parte da sociedade. Contudo, uma das restrições deste governo afetou a vida de muitas pessoas: A proibição dos livros. Esta proibição levará muitos a entrarem em um movimento de resistência, indo contra as exigências de tal governo, intitulado “família”.

A exposição do filme nos ajudará a perceber como funciona um regime político totalitário e de que forma o homem conquista sua liberdade. O poder do homem sobre si mesmo e seu lugar no convívio social, isto é, dentro da estrutura social serão questões pertinentes para nossa discussão e amplamente trabalhadas no filme e no texto oferecido!