Introdução

Este trabalho tem por fim salientar questões atuais fazendo uma contraposição com a ética aristotélica. Mostraremos que na perspectiva de Aristóteles todas as atitudes levam a um fim e, este fim deve ser o mais virtuoso. Todas as atitudes dos indivíduos tendem ao sumo bem. A ética aristotélica busca a o justo meio relacionado a cada individual e analisando cada situação.

O filme escolhido retrata basicamente esta temática, um pai desesperado toma uma atitude extrema, com uma finalidade virtuosa, salvar seu filho e, desta forma discutir sobre o prisma aristotélico sobre a relação de moral e legal, quando uma atitude que visa um fim nobre entra em conflito com a lei.

Um Ato de Coragem

Sinopse

Titulo original: (John Q)

Lançamento: 2002 (EUA)

Ambientação: EUA

Direção: Nick Cassavetes

Atores: Denzel Washington, Robert Duvall, James Woods, Anne Heche, Eddie Griffin

Duração: 118 min.

Gênero: Drama

O filme conta a história de um homem que trabalha em uma fabrica, ele sua mulher e seu filho vivem bem, todavia quando em uma partida de beisebol seu filho passa mal e ele descobre que seu único filho está doente, ele se vê em estado de desespero, procura todas encontrar solução para o tratamento de seu filho. Seu plano de saúde não cobre a operação, pois para o tratamento de seu filho é necessário fazer um transplante de coração, mesmo vendendo tudo o que tem e aceitando doações é impossível para ele obter quantia suficiente para o tratamento e, além disso, custear a cirurgia. Sem dinheiro, sem ter a quem recorrer ele toma uma medida de desespero, com a certeza que seu filho iria morrer se ele não tomasse uma atitude, ele invade o hospital seqüestra os médicos do setor de emergência e afirma que só vai se entregar quando seu filho for operado.

Sem opção ele negocia com a policia, mas está disposto a perder sua vida para salvar a de seu filho, ele irá até as ultimas conseqüências para salvar seu bem mais querido seu filho. A arma que ele porta tem apenas uma bala e sendo ele o único compatível ele está disposto a sacrificar sua vida para salvar seu filho.

Fundamentação

Aristóteles fundou a chamada filosofia pratica, sendo a ética uma ciência que tem por objeto de estudo a ação. Em sua obra Ética Nicomaco Aristóteles tenta resolver a questão: O que é o sumo bem? E Como nos tornamos bons?

Todas as coisas tendem para o bem, e esse fim é mais excelente que as ações. As ações que tem um fim fora de si são mais excelentes, como as ciências praticas (a política como Exemplo) estas ciências praticas visam o bem humano, a felicidade (eudaimonia).

“O bem do homem vem a ser uma atividade da alma de conformidade com a virtude, e se as virtudes são várias, de conformidade com a melhor e mais completa entre elas, e ademais devemos acrescentar que tal atividade deve estender-se por toda a vida” ( ARISTÓTELES, Ética a Nicômaco I, 7, 1098 a 16-18.

Para adquirir esta felicidade o homem precisa viver uma vida virtuosa, virtude esta que é o justo meio, e este só vem com a pratica de ações virtuosas. Felicidade é igualada a vida boa quem vive bem pratica boas ações.

AÉtica a Nicômaco é a principal obra de Aristóteles sobre a ética. Nela se expõe sua concepção teleológica e eudaimonista de racionalidade prática, sua concepção da virtude e suas considerações acerca do papel do hábito e da prudência na ética.Para Aristóteles, a excelência moral não é emoção ou faculdade, mas disposição da alma; exatamente uma disposição para escolher o meio-termo. Por meio-termo Aristóteles quer “significar aquilo que é equidistante em relação a cada um dos extremos, e que é o único e o mesmo em relação a todos os homens”. É a escolha justa, correta, feita com discernimento e encaminhadapela prudência.

É por possuir essa disposição que “um mestre em qualquer arte evita o excesso e a falta, buscando e preferindo o meio-termo – o meio-termo não em relação ao próprio objeto, mas em relação a nós”. Não é por outro motivo que “se afirma com frequência que nada se pode acrescentar ou tirar às boas obras de arte”. O meio-termo é, assim, o caminho ético para a excelência.

A Doutrina do meio-termo faz parte da ética do sistema aristotélico. Ela é um estado considerado o ideal, para Aristóteles. Todos os excessos são considerados vícios. Excesso de coragem é a temeridade, a impulsividade. A falta de coragem é a covardia. Ambas são consideradas vícios. É presciso buscar o equilíbrio, que é a virtude, ou seja, a coragem em si.

“Estou falando da excelência moral, pois é esta que se relaciona com as emoções e ações, e nestas há excesso, falta e meio-termo. Por exemplo, pode se sentir medo, confiança desejos, colera, piedade, e de um modo geral prazer e sofrimento, demais ou muito pouco, e em ambos os casos isto não é bom; mas experimentar estes sentimentos no momento certo, em relação aos objetos certos e às pessoas certas, e de maneira certa, é o meio termo e o melhor, e isto é característico da excelência. Há também, da mesma forma, excesso, falta e meio-termo em relação às ações.” (Ética a Nicômaco, Livro II, B 6).

Vale destacar aqui que a virtude, na época dos gregos, não é idêntica ao conceito atual, muito influenciado pelo cristianismo. Virtude era no sentido da excelência de cada ação, de fazer bem feito, na justa medida, cada pequeno ato. O meio-termo é uma característica da excelência moral.

“ A excelência moral, é uma disposição da alma relacionada com a escolha de ações e emoções, disposição esta consistente num meio-termo (o meio-termo relativo a nós) determinado pela razão (a razão graças a qual um homem dotado

de discernimento o determinaria). Trata-se de um estado intermediário, porque nas várias formas de deficiência moral há falta ou excesso do que é conveniente tanto nas emoções quanto nas ações, enquanto a excelência moral encontra e prefere o meio termo.” (Ética a Nicômaco, Livro II, B 6).”

A felicidade é um fim em si mesmo que consiste numa ação virtuosa. Não é um estado, mas sim uma atividade, a mais auto-suficiente de todas.

Aristóteles considera a existência de dois tipos de atividades: as valiosas em si mesmas e as valiosas para outros fins. A felicidade está entre as primeiras. Ela é ação virtuosa. A felicidade não é apenas um divertimento, embora os divertimentos pareçam ser um fim em si mesmo, eles podem causar mais danos do que benefícios. Por exemplo, uma vida habituada aos divertimentos pode causar sérios danos corporais e na propriedade da pessoa. Em última instância, acaba por arruinar o maior bem da pessoa: a saúde.

Para se entender melhor o que é a felicidade, importa saber o que é a vida feliz. Para Aristóteles, "a vida feliz parece ser uma vida que exprime a virtude, a qual é uma vida que envolve ações sérias e não consiste na diversão”.

À Ética cabe determinar qual a finalidade suprema (o summum bonum) que preside e justifica todas as demais e qual a maneira de alcançá-la. Essa finalidade suprema é a felicidade (eudaimonia), que não consiste nem nos prazeres, nem nas riquezas, nem nas honras, mas numa vida virtuosa. A virtude, por sua vez, se encontra num justo meio entre os extremos, que será encontrada por aquele dotado de prudência (phronesis) e educado pelo hábito no seu exercício.

Referência Bibliográfica

CHAUÍ, Marilena. Introdução à História da Fiosofia. São Paulo: Companhia Das Letras. 2002.

Aristóteles. Ética a Nicômaco. Tradução de Leonel Vallandro e Gerd Bornheim. São Paulo: Abril Cultural. 1972. [ Coleção Os Pensadores]

Adaptação para o ensino médio

Vimos no filme a história de um homem de coragem, um homem que não mede esforços para fazer aquilo que é necessário, não só a necessidade fica visível nesta situação pouco casual, mas também o desejo, o desespero, a atitude extrema para salvar quem queremos bem. Este homem esbarrou em uma situação complicada, tentou recorrer a tudo que estava em sua alçada vendeu o que tinha, pediu doações, mas para salvar seu filho todas estas atitudes foram vãs, ele nada pode fazer, não tem dinheiro seu plano de saúde não cobre as despesas, a saúde publica também não. O que fazer quando nada que tentamos dá certo? Este homem entra em desespero, então ele resolve tomar sua ultima e mais difícil decisão a mais ariscada, entretanto a ultima e única que neste momento poderá salvar seu filho.

Não existe escolha não há opção, é necessário ir até as ultimas conseqüências para salvar seu filho, então ele resolve invadir o hospital armado e faz refém os médicos e enfermeiros que ali trabalham, não existe outra escolha, não há negociação, não há como escapar, agora ou é salvar seu filho ou morrer e, talvez as duas coisas.

Situações extremas levam a atitudes extremas, para salvar alguém as vezes é necessário colocar a vida de alguém em risco, mas qual é o limite? Até onde posso ir e continuar sendo um cidadão moral? Qual é o limite? Onde fica esta linha tênue que divide um cidadão abnegado que vai até as ultimas conseqüências para salvar um ente querido de um marginal, aquele que está às margens da lei? São questões complicadas que leva-nos a ter inquietações. Se todos fizessem aquilo que fosse melhor para si mesmo, viveríamos em um mundo de egoísmo ético, e isto levaria ao fim da sociedade, o outro extremo também não é possível se todos fossem de tal forma extremamente bons e virtuosos e fizessem tudo de forma que se agrade ao próximo, isto também não seria possível. É preciso haver um equilíbrio, é necessário existir uma justa medida, um meio termo que determina como estas ações devem ser guiadas

Qual a finalidade da vida humana? Porque vivemos em sociedade? Qual é o motivo que leva-nos a socializarmos? Qual é o limite de nossas ações? Estas são questões que a tempo vem sendo colocada por diversas civilizações.

O homem é um animal político, já dizia Aristóteles, mas o que isso quer dizer? Se questionássemos nosso amigo grego ele nos responderia: o homem é um animal político, pois ele necessita do convívio social, o homem só adquire dignidade vivendo em grupo e só em grupo ele pode chegar à felicidade. Vivemos em sociedade necessitamos de cada setor da nossa comunidade social, o professor é importante (ele que ajuda na formação de novos cidadãos) o policial é importante (ele que cuida de segurança do povo) o lixeiro também exerce uma função importante (ele que faz a limpeza publica) etc., existe uma dependência recíproca da sociedade é necessário vivermos juntos para podermos viver bem.

Na vida social existe um conflito, conflito esse que está estruturado na compreensão de uma questão essencial para a vida do homem em grupo, a saber, qual é o limite de nossas ações? Na visão aristotélica bem é tudo aquilo que todas as coisas tendem. Na ética Nicomaco Aristóteles quer descobrir o que é o sumo bem? E como nos tornamos bons?

O Homem deseja ter bem estar conforto para ele e sua família, e busca as formas legais para obter isto, entretanto quando as formas legais não proporcionam o que desejo, quando o Estado não pode me oferecer e com minhas forças não há a menor possibilidade de conseguir, qual será a nossa atitude ir de encontro com a lei para obtermos nosso bem estar, se o homem busca a felicidade será que tudo é valido?

 A questão a ser discutida é: Visualizando as questões levantadas pelo filme fazer uma análise de como uma atitude que visa um bem pode ser moral ou não?