Introdução

Este trabalho tem por objetivo falar sobre Cinema e questões de Estéticas e Filosofia da Arte. O filme escolhido foi -– filme que trata da vida do pintor Johannes Vermeer.

Considero ser possível abordar as questões de Estética e de Filosofia da Arte pelas idéias dos seguintes filósofos: Platão, Aristóteles, Plotino, Kant, Hegel, Baumgarten, Walter Benjamin e Theodor Adorno.

E acredito, também, ser possível trazer para o interesse dos alunos do Ensino Médio o Filósofo Baruch Spinoza, já que o Pintor (Johannes Vemeer) e o Filósofo são contemporâneos e de mesma nacionalidade - Holandeses.

Sinopse do Filme - Moça com Brinco de Pérola

Johannes Vermeer é considerado o segundo pintor mais importante da Holanda, ficando atrás apenas de Rembrant. Durante sua existência, entre 1632 e 1675, Vermeer viveu em Delft, foi comerciante de arte e pintou diversos quadros, entre eles Moça com Brinco de Pérola, classificado por alguns como a “Mona Lisa holandesa”. A exemplo da pintura italiana se especula sobre a modelo que posou para o pintor, embora não existam registros sobre a origem da mesma.

Em 1999, a escritora Tracy Chevalier publicou um romance, no qual tenta desvendar a moça por detrás do quadro, que a todos encanta com sua expressiva beleza e um intrigante olhar, ao mesmo tempo alegre e triste. Baseado nesse livro (que vendeu mais de dois milhões de exemplares logo quando foi lançado), Olívia Hetreed criou o roteiro de Moça com Brinco de Pérola, para que Peter Webber o dirigisse, estreando em longas metragens.

Scarlett Johansson interpreta Griet, uma jovem camponesa que, por conta de dificuldades financeiras pelas quais passa sua família, é levada a trabalhar na casa do pintor (vivido nas telas por Colin Firth). Dentre suas inúmeras funções está a de limpar e arrumar o estúdio, onde Vermeer passa a maior parte de seu tempo, trabalhando e refugiando-se de sua família, que ele pouco vê.

Aos poucos Vermeer começa a prestar a atenção na jovem de apenas 17 anos, e passa a treiná-la no preparo das tintas. Ela tem um natural olhar crítico, parecido com o dele, e o pintor a deixa opinar em seu trabalho, nascendo entre eles uma cumplicidade que vai gerar ciúme do resto da família e dos outros serviçais da casa. Menos o da sogra (Juddy Parfitt), que é quem administra as contas da família quase falida, e consegue captar que a presença da criada melhorou o trabalho do pintor e, conseqüentemente, o fluxo de caixa.

O filme Moça com Brinco de Pérola, é um filme Inglês, de 2003, com 95 minutos de duração. Dirigido por Peter Webber, roteiro de Olívia Hetreed, baseado no livro homônimo de Tracy Chevalier, fotografia de Eduardo Serra, figurino de Dien Van Straalen e música de Alexandre Des Plat. A música do filme é um espetáculo a parte, linda, marcante e inesquecível.

Considero que o ponto de atração, para os alunos do Ensino Médio, é a presença da atriz Scarlett Johansson, conhecida por interpretar vários filmes contemporâneos e principalmente o filme – Os Quatro Fantásticos.

Fundamentação Teórica

A característica da pintura de Johannes Vermeer é a procura pelo ponto de luz que incida com perfeição sobre suas obras de arte, tanto que a maioria de suas obras é executada procurando captar a luz que entra pelas janelas de seu estúdio.

A sua obra prima, Moça com Brinco de Pérola, retrata perfeitamente a luz que Johannes Vermeer consegue captar incidindo sobre o brinco de pérola que a modela usa. O rosto, da modelo, que já possuí uma luz natural, é mais valorizado pela luminosidade que emana do brinco de pérola, dando uma perfeita harmonia entre luz, janela, rosto e brinco.

Essa procura pela perfeição do belo nos remete aos filósofos que, também, tiveram esse mesmo interesse em suas questões filosóficas.

Apenas para citar alguns, que poderiam ser utilizados, para despertar, nos alunos do Ensino Médio, questões filosóficas, sobre Estética e Filosofia da Arte.

Sócrates – Um dos primeiros a refletir sobre as questões de estética, em seus diálogos com Hípias, há uma refutação dos conceitos tradicionalmente atribuídos ao belo, ele não definiu o belo, julgou-se incapaz de explicar o belo em si.

Platão – O belo para Platão estava no plano do ideal, entendeu que os objetos incorporam uma proporção, harmonia e união, ele dissociava o belo do mundo sensível, sua existência ficava confinada ao mundo das idéias, associando-se ao bem, a verdade, ao imutável e a perfeição.

Aristóteles – Discípulo de Platão, ao contrário de seu mestre, concebeu o belo a partir da realidade sensível, deixando este de ser algo abstrato para se tornar concreto, o belo materializa-se, a beleza no pensamento aristotélico já não era imutável, nem eterna, podendo evoluir.

Immanuel Kant – Para Kant o juízo estético é oriundo do sentimento, e funciona no ser humano como intermediário entre a razão e o intelecto.

Georg Hegel – Hegel foi outro grande filósofo que após Kant, dedicou-se ao estudo do belo, Hegel parece concordar de certa maneira com Platão, ao abordar a questão do ideal e do belo. Sobre a beleza Hegel diz que: “a beleza só pode se exprimir na forma, porque ela só é manifestação exterior através do idealismo objetivo do ser vivente e se oferece à nossa intuição e contemplação sensíveis”.

Na minha concepção, a melhor relação, possível, feita entre o filme e um filósofo, para os alunos do Ensino Médio, seria destacar a importância do belo e da estética, do pintor Johannes Vemeer, e associar as idéias do filósofo Aristóteles, julgo que despertaria mais interesse e geraria debates interessantes.

Adaptação para o Ensino Médio

Na qualidade de docente, estimularia os alunos a assistirem o filme, Moça com Brinco de Pérola, pela presença da atriz Scarlett Johansson , citaria sua participação em outros filmes, que fazem parte da realidade dos adolescentes, principalmente o filme, Os Quatro Fantásticos, após ter conseguido a atenção dos alunos, introduziria a temática principal do filme, a obra de arte do pintor Johannes Vemeer, e despertaria neles o interesse por estética e filosofia da arte, me valendo principalmente do filósofo Aristóteles.

Porém para uma discussão filosófica poderia, também, estimular os alunos a entrarem em contato com a filosofia de Baruch Spinoza, para tanto faria um levantamento biográfico do pintor Johannes Vermeer e do filósofo, destacando, principalmente, a contemporaneidade dos dois e o fato de terem nascido no mesmo País, e logo após, usando um livro, bastante utilizado no Ensino Médio, Filosofando – Introdução a Filosofia, traria ao conhecimento dos alunos um texto e exercício sobre Spinoza.

Seria assim: Um breve levantamento biográfico do pintor Johannes Vemeer, nascido em Delft, Holanda, em 31 de Outubro de 1632 e falecido em 15 de Dezembro de 1675, dedicou sua vida a pintura e a procura da perfeição nas suas obras de arte.

Logo após faria um levantamento biográfico do filósofo Baruch Spinoza, nascido em 24 de Novembro de 1632, na Holanda, Amsterdã, Países Baixos, e falecido em 21 de Fevereiro de 1677, em Haia, Países Baixos, ocupação artesão, teólogo e filósofo, obra principal Ética, seus interesses ética, metafísica, teoria do conhecimento, teologia e lógica.

Após isso exaltaria a contemporaneidade, a nacionalidade e a mesma dedicação pela excelência em seus projetos um ligado à estética e outro a ética.

Retiraria do livro Filosofando – Introdução a Filosofia, da página 313 o texto, A relação corpo-espírito para Spinoza, e ainda me valendo do filme, tentaria despertar a atenção dos alunos para o anseio pela liberdade de criação, tanto do pintor quanto do filósofo e, os alunos, poderiam a partir daí pensar sobre o filme, o pintor, a estética e a ética.

Para concluir, como exercício, aplicaria a questão sobre Spinoza, que se encontra na página 318, do mesmo livro, e a partir daí analisaria o desempenho dos alunos.

Conclusão

Acredito que só fui capaz de pensar essas questões sobre cinema e filosofia devido a este curso, pois, pude associar idéias filosóficas a filmes que me despertaram para isto.

Mephisto e Giordano Bruno, dois filmes que puderam me levar a refletir sobre questões filosóficas foram grandes instrumento de trabalho, para aclarar minhas idéias sobre questões filosóficas no Ensino Médio.

Mephisto, deu-me a oportunidade de trabalhar com questões sobre teatro, cinema, poesia e filosofia.

Giordano Bruno me incentivou a trabalhar com Spinoza no Ensino Médio, pois sua filosofia influenciou, também, este filósofo.

E cinema, também, é um dos meus interesses.

Bibliografia

ENCICLOPÉDIA História da Arte. Salvat Editora do Brasil Ltda. 1980.

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando – Introdução a Filosofia. Editora Moderna. 2ª Edição. São Paulo. 1993. 

http://pt.wikipedia.org

JAPIASSÚ, Hilton & MARCONDES, Danilo. Dicionário Básico de Filosofia. 3ª Edição. Jorge Zahar Editor. Rio de Janeiro. 1990.

FILME, Moça com Brinco de Pérola. Imagem Filmes. DVD Vídeo. 2003.

ROSSI, Roberto. Introdução à Filosofia – Histórias e Sistemas. Edições Loyola. São Paulo. 1996.