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Justificativa: Escolhemos o filme “O Show de Truman” e o relacionamos com o Mito da Caverna, utilizando o Livro VII da República, de Platão. Optamos por este filme pela linguagem utilizada na obra, linguagem que consideramos de fácil acesso para os estudantes do ensino médio e, também, pela possibilidade imediata de uma analogia com o mito grego. O filme pode perfeitamente ser trabalhado como auxílio para as aulas de filosofia, sobretudo as de teoria do conhecimento, que consideramos ser a questão central do mito platônico.

Título original: THE TRUMAN SHOW

Título no Brasil: O Show de Truman, O Show da Vida.

Local: Estados Unidos

Ano: 1998

Duração: 103 min

Direção: Peter Weir

Roteiro: Andrew Niccol

Elenco: Jim Carrey, Laura Linney, Ed Harris, Noah Emmerich, Natascha McElhone, Philip Baker Hall, Paul Giamatti, Peter Krause

Gênero: drama

Sinopse: O vendedor de seguros Truman Burbank (Jim Carrey) vive em Seaheaven, um paraíso terrestre onde todos parecem conviver em perfeita harmonia. Mas, seu casamento com Meryl (Laura Linney) não anda muito bem e, para piorar, ele sente-se constantemente vigiado. Decidido a investigar se realmente está sendo espionado, Truman começa a perceber uma série de situações estranhas, que aguçam ainda mais suas dúvidas e levam-no a uma descoberta: sua vida é um programa de TV. Abandonado pelos pais ainda bebê, Truman é adotado por uma rede de televisão que o cria num mundo irreal: a cidade onde vive é um imenso cenário, sua esposa, amigos, vizinhos, todos são atores contratados. Sua vida é uma farsa, acompanhada por milhares de telespectadores. A partir de então sua luta é para libertar-se e poder viver verdadeiramente.

Fundamentação Teórica

Truman Burbank (Jim Carrey) é um homem comum da cidade de Seahaven, que vive com sua esposa Meryl (Laura Linney) numa casa no subúrbio, e ganha a vida vendendo seguros. Seu pai morreu em uma tempestade. Ele tem a mãe, os amigos (com destaque para Marlon, interpretado por Noah Emmerich) e uma vida aparentemente normal. Truman, entretanto, não sabe que toda a sua vida se trata de um reality show, criado e comandado por Christof (Ed Harris), produzido em um gigantesco estúdio que pode ser visto do Espaço. Tudo o que ocorre ao seu redor é fictício, seu emprego é uma criação, seu casamento uma farsa (assim como foram o romance, a sedução e o namoro com sua esposa), seus amigos estão junto dele para cumprirem um contrato como atores da rede que transmite o "Show de Truman".

Todos e tudo que o cerca são, literalmente, artificiais. Cenários compõem a cidade da vida de Truman; os carros são sempre os mesmos, cumprindo o ritual de rodar a cidade e dar a impressão de que a vida segue seu rumo, sua normalidade. Quando vai ao supermercado e adquire um produto, as imagens de Truman segurando e comprando determinados produtos viram marketing para as mercadorias adquiridas.

Porém, Truman começa a desconfiar de que existe algo estranho, quando Christof dirige seu carro, e o rádio sintoniza numa frequência que narra exatamente o que ele faz no momento; ou quando Truman entra no elevador e observa um fundo de cenário com pessoas, ao invés do elevador que deveria estar lá. Truman, que sempre quis viajar pelo mundo, começa a perceber que realmente existe algo errado quando tenta viajar de ônibus, mas este enguiça antes de sair do lugar. Em outra ocasião, ele sai com seu carro e tenta viajar pelas estradas, mas se depara com um estranho vazamento da usina nuclear da cidade, fato que o obriga a voltar para casa à força. Em casa, Truman quase agride Meryl, que grita "Façam alguma coisa!", e Truman não entende para quem ela teria gritado. A partir daí, as coisas começam a se esclarecer para ele.

Nesse ambiente de mentiras, Truman desperta ao quase ser acertado por uma câmera que despenca do alto dos cenários. A partir desse incidente, sua relação com o mundo que o cerca muda completamente, ele passa a desconfiar de tudo e de todos, inicia uma procura incessante pelos olhos eletrônicos que estão a monitorá-lo todo o tempo, começa a duvidar da seriedade dos amigos e da esposa, percebe que o mundo ao seu redor repete-se com uma insistência irritante.

Christof concede uma entrevista e nela o entrevistador o pergunta “por que Truman nunca pensou até agora em questionar a natureza do mundo em que vive?” Christof responde dizendo que “aceitamos a realidade do mundo tal qual ela nos é apresentada, Truman pode ir embora quando quiser. Se tivesse algo mais que uma mínima ambição, se estivesse absolutamente decidido a descobrir a verdade, não poderíamos impedi-lo. Truman prefere a sua cela”.

O Show de Truman é uma variação muito interessante do Mito da Caverna. Ele difere da alegoria platônica pelo fato de que apenas um prisioneiro se liberta e abandona as sombras da caverna para conhecer o mundo real. No filme trabalhado, há apenas um prisioneiro, pois as demais pessoas são atores que entram e saem do local de gravação (a Caverna).

A fala do diretor do Show de Truman, Christof, está de acordo com a ideia do Mito da Caverna: Poucos são os capazes de distinguir entre o mundo das aparências e o mundo das realidades autênticas. Poucos são os capazes de se perguntar se tudo não passaria de um simulacro. Mas, com um esforço de imaginação, poderíamos pensar que, se Platão visse o filme, ele diria que nem mesmo Truman deixando de considerar como reais as sombras que passam na parede e descobrindo os objetos que produzem estas sombras, não teria saído da caverna, não o que Platão considera como caverna. Seria preciso um segundo despertar por Truman em direção ao mundo das Formas, um mundo mais verdadeiro que o nosso.

Adaptação para o Ensino Médio

O livro VII da obra platônica “A República” narra o Mito da Caverna, alegoria da teoria do conhecimento e da paideía platônicas. O mito fala de uma caverna separada do mundo externo por um alto muro cuja entrada permite a passagem da luz exterior. Desde seu nascimento, geração após geração, seres humanos vivem acorrentados ali, forçados a olhar apenas a parede do fundo, e sem nunca terem visto o mundo exterior nem a luz do Sol. Acima do muro, um feixe de luz ilumina o espaço habitado pelos prisioneiros, fazendo com que as coisas que se passam no mundo exterior sejam projetadas como sombras nas paredes do fundo da caverna. Os prisioneiros julgam que essas sombras são as próprias coisas externas. Um dos prisioneiros, tomado pela curiosidade, decide fugir da caverna. Fabrica um instrumento com o qual quebra os grilhões e escala o muro. Sai da caverna. Num primeiro momento, fica totalmente cego pela luminosidade do Sol, com a qual seus olhos não estão acostumados. Encanta-se, tem a felicidade de, finalmente, ver as próprias coisas, descobrindo que o que viu a vida toda fora apenas sombras.

O Mito da Caverna estabelece uma relação intrínseca entre a educação (paideía) e a verdade (alétheia). A filosofia é educação ou pedagogia para a verdade. O mito propõe uma analogia entre os olhos do corpo e os olhos do espírito quando passam da obscuridade à luz. Assim como os prisioneiros ficam ofuscados pela luminosidade do Sol, assim também o espírito sofre um ofuscamento no primeiro contato com a luz da ideia do Bem que ilumina o mundo das ideias. A trajetória do prisioneiro descreve a essência do homem (um ser dotado de corpo e alma) e sua destinação verdadeira (o conhecimento intelectual das ideias). O homem está destinado à razão e à verdade. Mas por que, então, a maioria permanece prisioneira da caverna? Porque a alma não recebe a educação (paideía) adequada à destinação humana. Deste modo, a paideía descrita no mito, é uma “conversão do olhar”. A mudança na direção de nosso pensamento que, deixando de olhar as sombras, passa a enxergar as coisas verdadeiras. Heidegger observa, em um ensaio intitulado “A doutrina de Platão sobre a verdade”, que não foi por acaso que Platão escolheu a palavra eîdos para designar as ideias ou formas inteligíveis, pois eîdos significa figura e forma visíveis. O eîdos é o que o olho do espírito, educado, torna-se capaz de ver. A saída da caverna é a ascensão para o inteligível, e a educação é essa ascensão da alma.

Referências Bibliográficas

HEIDEGGER, Martin. A doutrina de Platão sobre a verdade. Trad. Antônio Jardim. Instituto de Letras da UFRJ.

PLATÃO. A República. São Paulo: Martin Claret, 2001.

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