Escolher um Filme e relacionar com questões ou aspectos filosóficos:

Cinema, filosofia e questões existenciais: Waking Life.

Roteiro do trabalho:

a) Introdução: Waking Life foi o filme escolhido, pois partindo do principio que o publico alvo de sua exibição sejam alunos do ensino médio, este tem a seu favor ser uma animação, assim a linguagem se torna mais similar a da faixa etária proposta. A temática do filme traz reflexões que estão presentes no pensamento contemporâneo. A partir do caminho percorrido pelo protagonista, nós expectadores podemos trazer as questões levantadas para nossa vida cotidiana. Isso para o ambiente educacional é muito rico, pois possibilita ao aluno traçar um diálogo consigo e sua comunidade. As idéias são expostas de maneira altamente didáticas, até porque alguns de seus atores são professores do Departamento de Filosofia da Universidade do Texas, a maneira que estes colocam os temas desenvolvidos é clara e suficiente.

b) Sinopse do filme: Waking Life trata sobre um jovem que permanece num estado de sonho lúcido. O filme segue o protagonista e o mostra inicialmente observando o mundo ao seu redor. Ele paticipa de discussões filosóficas que tratam de temas como realidade e aparencia, livre arbítrio, relações interpessoais e o significado da vida. Durante seu curso, o filme toca outros temas, que incluem: existencialismo, situações políticas, epistemología, metafísica e etc.

Para nossa surpresa dado os temas e o conteúdo, Waking Life está muito mais enfocado no diálogo, do que na ação da trama, isto remonta o cenário da filosofia grega, onde o conhecimento se construia pelo diálogo. O filme consiste em tomadas de primeiro plano dos personagens, onde que examinam explicações relativas a questões filosóficas.

O filme tem a direção de Richard Linkater, foi rodado em 2001 nos Estados Unidos. È uma ficção de animação, a técnica usada é o rotoscópio.

c) Fundamentação teórica: O texto base é um fragmento de “Existencialismo é humanismo” de Jean-Paul Sartre. Neste trecho Sartre expõe claramente a temática existencialista em contraponto à visão pouco clara de alguns pensadores sobre essa linha de pensamento filosófica.

Assim respondemos, creio eu, a um certo número de censuras referentes ao existencialismo. Vedes bem que ele não pode ser considerado como uma filosofia do quietismo, visto que define o homem pela ação; nem como descrição pessimista do homem: não há doutrina mais otimista, visto que o destino do homem está nas suas mãos; nem como uma tentativa para desencorajar o homem de agir, visto que lhe diz que não há esperança senão na sua ação, e que a única coisa que permite ao homem viver é o ato. Por conseguinte, neste plano, nós preocupamo-nos com uma moral de ação e de compromisso. No entanto, objetam-nos ainda, a partir destes poucos dados, que encerramos o homem na sua subjetividade individual. Também aí nos entendem muito mal. O nosso ponto de partida é, com efeito, a subjetividade do individuo, e isso por razões estritamente filosóficas. (...)”.

Mas há um outro sentido de humanismo, que significa no fundo isto: o homem está constantemente fora de si mesmo, é projetando-se e perdendo-se fora de si que ele faz existir o homem e, por outro lado, é perseguindo fins transcendentes que ele pode existir; sendo o homem esta superação e não se aponderando dos objetos senão em referencia a esta superação, ele vive no coração, no centro desta superação. Não há outro universo senão o universo humano, o universo da subjetividade humana. É a esta ligação da transcendência, como estimulante do homem _ não no sentido de que Deus é transcendente, mas no sentido de superação _ e da subjetividade, no sentido de que o homem não está fechado em si mesmo mas presente sempre num universo humano, é a isso que chamamos humanismo existencialista. (...)”

d) Traçar um paralelo entre o filme, autor e texto de sua autoria: Waking Life traz a tona diversas linhas de pensamento possíveis, até por apresentar as correntes filosóficas de maneira bem expositiva. Contudo me prenderei ao esqueleto do filme, que é a viagem do protagonista de um mundo real para uma dimensão imaginária.

Neste trajeto até se encontrar com a eternidade, nosso rapaz passa por dois problemas base: primeiro, a reflexão sobre si mesmo a partir de conversas de outrem que ele participa em sonho e segundo a supressão da autonomia ao constatar seu estado de sono eterno.

Para contrapor a temática do filme ao pensamento existencialista de Sartre me deterei ao segundo ponto.

Nos fragmentos selecionados Sartre põe como centro da possibilidade de existência a ação do homem. E para tal, ele resgata a noção de subjetividade do individuo. A filosofia existencialista é a do encorajamento (consideremos que seu surgimento se deu no pós-guerra). Ela deseja à tomada de força, a revitalização do sujeito, a libertação da dor.

Num segundo momento ele coloca a superação como centro do homem (observação: a superação só acontece pelo movimento, a partir de uma ação realizada). Existe uma transcendência que estimula o homem, e que está presente num universo humano. A subjetividade em Sartre não é se fechar em si mesmo, mas sim participar, estar presente.

e) Conclusão: Podemos ver em Waking Life que o protagonista se depara com este segundo problema citado no texto acima, pois ao se encontrar preso a um meta-mundo ele repensa a autenticidade de sua existência. Ele tem diante de si um paradoxo, pois ao habitar um mundo de sonho suas possibilidades de ação se tornam infinitas, e ao mesmo tempo absolutamente voláteis, por serem fantasias.

A questão posta na trama principal, e que perpassa praticamente todo o filme, por meio dos diálogos em seus sonhos é a seguinte: _ Qual é o objetivo da vida diante da ausência de sentido?

Nosso rapaz só se dá conta disso no momento em que percebe estar preso no mundo imaginário. Essa é uma metáfora da vida, em certos aspectos, já que muito se acredita que esse sentido é regulado por um sistema religioso, mídia ou até mesmo o Estado, só que ô que Waking Life nos apresenta é aproximadamente a solução existencialista.

O sentido é dado pelo homem, sua ação determina sua existência. A passagem, a ruptura praticada pelo personagem não está em se ressentir pela perda da possibilidade de existência real, mas em aceitar o devir, exemplificado pela ultima cena do filme. Na solução existencialista o homem tem que tomar a vida em suas mãos, em Waking Life tomar a vida em suas mão é aceitar o devir para começar a viver sua nova existência.

f) Bibliografia: SARTRE, Jean-Paul. 1973. O existencialismo e o humanismo; A imaginação; A Questão do método. Tradução: Vergílio Ferreira. São Paulo: Nova Cultural, (Col. Os Pensadores, edição brasileira, 1973)

Adaptação para o ensino médio:

a) Pequena sinopse do filme escolhido: Waking Life trata sobre um jovem que permanece num estado de sonho lúcido. O filme segue o protagonista e o mostra inicialmente observando o mundo ao seu redor. Ele paticipa de discussões filosóficas que tratam de temas como realidade e aparência, livre arbítrio, relações interpessoais e o significado da vida. Durante seu curso, o filme toca outros temas, que incluem: existencialismo, situações políticas, epistemología, metafísica e etc.

Texto filosófico e texto explicativo da relação cinema e filosofia a partir do filme escolhido:

Estudar Filosofia! Por onde começar?

A aprendizagem de filosofia parece um mistério, qual é a finalidade de refletir sobre a sua vida a partir do que um filósofo falecido disse no século XVI ou XVII, será que ele tem alguma coisa para me dizer? Será que ele pode interferir na minha vida de Alguma maneira? E o pior, como eu vou compreender sua linguagem, que mais parece uma metáfora do nada?

É, problemas como estes parecem percorrer o imaginário dos estudantes do ensino médios, (pelo menos é o que nós professores em formação muitas vezes acreditamos), eis aí um em passe. Creio que os antigos nos deixaram um rastro, uma pista que podemos percorrer, para levar nossos estudantes ao exercício filosófico.

Um axioma deste século indiscutivelmente é a velocidade, a vida muitas vezes parece ter somente dois objetivos: produzir e consumir, afinal fazemos isso o tempo todo. Produzimos conhecimento, trabalho, afetos e tudo mais que imaginemos e com o consumo não é diferente. Em meio a esse turbilhão de atividades temos que ensinar Kant ou Nietzsche para nossos alunos, estes que também tem um milhão de atividades para realizar.

Voltando a pista dos antigos, pensemos como estes produziram o rico legado do pensamento grego, simples (com todo o respeito que a palavra simples pode conter em si), através do diálogo. A partir de conversas nas praças, no teatro, nas ruas, e também na academia, o povo grego construiu o que conhecemos por filosofia.

O grego tinha o prazer no discurso, na palavra, a memória, a retórica eram atividades prazerosas. Pelo dialogo o misterioso Sócrates criou problemas que a te hoje discutimos firmemente.

Por traz das palavras fascinante daquele povo também se esconde outro problema: esse homem grego, livre, cidadão, esse que conhecemos, não trabalhava. Sua atividade era o exercício da vida contemplativa, ele não se ocupava com certas atividades que temos que realizar para sobreviver. O homem grego filosofo era um aristocrata, um abastado não sabia o que eram os pormenores da vida diária.

Temos aqui um colapso no sistema, como levar nosso estudante que não tem a estrutura do homem grego, que nem quer ser filosofo a pensar filosofia? Ele quer estudar, trabalhar, produzir, consumir, ser um engajado com seus contemporâneos.

Para tal desafio temos a nosso favor, o que nossa geração aprendeu a consumir em larga escala, o cinema. Através da observação do outro, ao se reconhecer no outro, nosso estudante pode reconhecer a si. E a partir de uma conversa sobre o outro, sobre o filme, nosso aluno cria pontes de pensamento, e pensa sua existência, pensa sua interferência na sociedade, e se projeta nela se reconhece como parte integrante do todo, descobre que é um nó um entrelaçar da rede.

A mão que tece a rede desse trabalho é Waking Life, esse filme faz saltar aos nossos olhos a nossa existência, nosso destino, nossos sonhos discutidos através de um sonho um sonho perene dentro de um sono eterno. Nos possibilita pensar se levamos a vida um constante acionamento de forças ativa, o efetuar das ações se entregando ao devir assim minimizando a dor. Ou num estado de passividade onde não há atividade pela economia de esforço, murmurando, reclamando sendo somente reacionário estando sempre na sombra da luz, não sendo iluminados por ela.

Assim pensemos o cinema na escola, como um modo de trazer luz, gerar atividade, como um dedo na ferida na vida. Deixando um viés para os filósofos do século XVI, XVI e tantos outros. Tragamos realidade pela fantasia, façamos da fantasia pensamento, geremos cidadãos conscientes de si e do outro, formemos pessoas com um olhar para a vida ético e estético.