La Mort de Socrate, 1787 (Jaques-Louis David)

 

"Bem, é chegada a hora de partirmos, eu para a morte, vós para a vida. Quem segue melhor rumo, se eu, se vós, é segredo para todos, menos para a divindade" (Defesa de Sócrates, Platão. Trad.: Jaime Bruna).

 

 

 

Acusado pelo governo ateniense de negar os deuses e corromper a juventude por seus ensinamentos, Sócrates (469-399 a.C), teve a possibilidade de escolher entre renunciar suas crenças ou morrer, bebendo uma taça de cicuta. David mostra-o preparado para a morte, fazendo um discurso com seus aflitos discípulos sobre a imortalidade da alma.

 

A imagem retrata, também, Platão, sentado na beira da cama, muito melancólico, e Críton, segurando o joelho de Sócrates. De vestes vermelhas, um discípulo de Sócrates segura o que este deveria beber, a cicuta, ou Conium. A mão de Sócrates aponta para o céu, o que indica sua reverência aos deuses e sua coragem ao escolher manter sua posição filosófica e aceitar a condenação à morte. A pintura está exposta em Nova Iorque, no Metropolitan Museum of Art.

 

A imagem, dessa forma, dá abertura a uma série de questões filosóficas, possibilitando uma discussão aprofundada sobre os temas centrais da Filosofia na época socrática. O Ensino Médio pode, com isso, ter o interesse em saber quem o homem do centro da pintura era, por que ele estava sendo condenado e em torno de quais aspectos girava a Filosofia grega.

 

 

 

Sócrates vive em um momento em que a problemática ético-política é questão urgente da sociedade grega. Ele critica a situação política de sua época, bem como discute a questão do homem enquanto cidadão da polis, organizado na democracia ateniense. Esta é representada pelas assembleias, onde os cidadãos se reuniam para usar a linguagem, o diálogo e a discussão, rompendo com a violência, já que todos teriam os mesmos direitos para dialogar. São necessárias, para essas discussões, justificativas, argumentos racionais. O método socrático questiona o senso comum, as meras opiniões, vagas e imprecisas para o pensamento desse filósofo. Ele prova, dessa forma, que aquilo que parece ser sabido, na verdade, pode não ser sabido.

 

Por meio do diálogo, Sócrates interage com seu interlocutor de forma que este reanalise suas crenças e, por ele mesmo, chegue ao conhecimento propriamente dito. Esse método ficou conhecido como maiêutica, o parto de ideias. Para ele, o filósofo deveria não fornecer um saber pronto, mas sim fazer com que o outro surja com suas próprias ideias. Sócrates quer afastar a opinião (doxa) e encontrar o verdadeiro conhecimento (episteme).

 

Assim, por conta disso, Sócrates, em 399 a.C., é acusado de graves crimes por alguns cidadãos atenienses, por desrespeitar tradições religiosas e corromper os jovens. O filósofo, então, apresenta um longo discurso para sua defesa, ironizando seus acusadores, assumindo as acusações e recusando-se a se declarar inocente ou pedir uma pena. O júri, finalmente, organizado por 501 cidadãos, condenou Sócrates à morte. Ele deveria beber uma taça de cicuta, veneno muito utilizado na época. Mesmo sendo aconselhado a fugir para o exílio, Sócrates recusa e faz seu discurso sobre a morte. Naquele momento, ele prova que voltar atrás sobre suas ideias e princípios seria ferir a própria sociedade grega.

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

 

 

MARCONDES,Danilo. Iniciação à História da Filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. 6 ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor Ltda., 2001.

 

__ Coleção Os Pensadores, Defesa de Sócrates / Platão, Abril Cultural, São Paulo, 1.ª edição, vol.II, 1972.