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Diógenes recebe a visita de Alexandre, o Grande, em Corinto, cidade da Grécia antiga.

 

http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Alexander_visits_Diogenes_living_in_a_barrel_at_Corinth_in_an_early_19th_century_engraving.jpg

 

 

 

Conta-se que, quando Alexandre visitou Diógenes em Corinto e indagou-lhe o que porventura desejaria dele, a resposta de Diógenes foi: “sai da frente da luz” (DL, 6. 38). Um comentário árabe fornece uma anedota reveladora. Certa vez, Alexandre convocou Diógenes à sua presença, mas o filósofo enviou-lhe de volta esta mensagem irônica: “És poderoso demais para precisares de mim, e eu, autossuficiennte demais para precisar de ti”. Nada precisava do imperador, a não ser que se desviasse da luz solar que o aquecia. Alexandre nada tinha que pudesse ser útil a Diógenes, que só precisava das coisas que como ele dizia, pudessem ser obtidas de graça: a luz solar, a água, o ar e um lugar para se esticar.

 

A justaposição entre Diógenes de Sínope e Alexandre aparece em numerosas passagens nas fontes da antiguidade como Diógenes Laercio, Plutarco e as gnomologias árabes. O que de verdade histórica existe nelas, é no limite, palpite de alguns, embora o número de tais relatos e sua consistência pareçam indicar alguns elementos de historicidade. O que ocorreu entre o imperador e o filósofo, ninguém sabe, a não ser que ambos se colocavam como pólos irreconciliáveis em ideologia e estilo de vida. Em todo caso, estamos provavelmente na presença de representações idealizadas que retratam os aspectos filosóficos da personalidade de Diógenes, ao mesmo tempo, proporcionando-nos uma boa idéia de sua vida.

 

O “uniforme” cínico consistia de um manto roto, um farnel de couro, um cajado de madeira e, ocasionalmente, um companheiro cão. As palavras modernas “cínico” e “cinismo” são derivações do grego (kynikós), que é a forma adjetiva do nome “cão”. Ser kynikós significa literalmente ser como um cão, comportar-se como um cão ou ter características que lembram cães.

 

A figura de Diógenes, ou seja, o que corresponde ao cinismo em sentido clássico, pode ser mais bem apreciada quando se considera o hiato que separa o exemplo de sua vida e suas ideias das de seus herdeiros em épocas modernas. Os novos cínicos remetem-se aos antigos apenas por meio de uma corrupção linguística do nome original. Com isso, o Cinismo dos filósofos cínicos tornou-se o cinismo das pessoas cínicas. As últimas tornaram-se a perfeita antítese dos primeiros.

 

A afinidade e a diferença entre cinismo clássico e o que geralmente é conhecido como cinismo moderno, pode nos levar a analisar o porquê ser cínico nos dias atuais soa tão mal, enquanto podemos do mesmo modo voltar os olhos para a autossuficiência dos cínicos antigos, inspirados na figura de Diógenes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Referência bibliográfica:

 

NAVIA, Luis E. Diógenes, O Cínico; tradução João Miguel Moreira Auto; tradução do texto grego Luiz Alberto Machado Cabral. São Paulo : Odysseus Editora, 2009.

 

 

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