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Reflexões sobre filosofia e arte: Heidegger e Van Gogh

 

 

Desde os primórdios da filosofia grega, tem sido não apenas freqüente, mas indispensável a tarefa de pensar a filosofia em sua interface com a estética, despertando inquietações e questionamentos acerca da obra de arte e de seu vínculo com o real em suas diferentes manifestações. Neste estudo, traremos à cena alguns breves aspectos interpretativos da obra Os sapatos, do pintor holandês Vicent Van Gogh, sobre o olhar da fenomenologia de Martin Heidegger.

 

No cerne da análise heideggeriana uma pergunta vem à tona com o intuito de resgatar o caráter originário da obra de arte: “O que é que, na obra, está em obra?”. Em outras palavras, perguntar pela origem é perguntar por aquilo que dá garantia à obra, à sua existência como tal. Origem, aqui, é entendida, não como ponto de partida ou início que permanece em um passado longínquo. Ao contrário, a origem como o fundamento, aquilo que fornece às coisas a sua identidade, ou seja, a unidade essencial que está na base de sua existência.

 

Quando o observador se aproxima, então, da tela, seu campo de visão não se restringe apenas às cores do quadro emoldurado na parede e muito menos à representação espacial do par de sapatos. Para Heidegger, a obra de arte é uma abertura, e embora a imagem seja um processo ôntico, nela o ser possui uma manifestação visível e plena de sentido. O caráter de imagem originária não se restringe assim à função de “copiadora” do quadro, ao contrário, o quadro contém uma referencialidade indissolúvel com o seu próprio mundo enquanto arte libertada da representação clássica.

 

Pensando na tela Os sapatos, pintada por van Gogh, não a vemos como simples artefato ou adorno, que se pendura na parede. Ao contrário, segundo Heidegger, van Gogh tornou visível o mundo da camponesa. Os sapatos gastos, velhos, presentes no quadro trazem consigo a presença da própria lavoura, evidenciando o peso do trabalho árduo, da manhã que se inicia no caminho para o campo, do suor da lida, do sol quente no verão, do inverno rigoroso. Pelo quadro, que exibe apenas um par de sapatos velhos, é possível conhecer o vasto mundo de que deles se acerca. O par de sapatos, tal qual uma descrição da realidade, condensada na mistura das cores, é uma janela, uma abertura, que mostra os elementos velados na cotidianidade.

 

 

Dessa forma, pela obra de Van Gogh, o mundo da camponesa surge, demarcando, diante do observador, sua existência. O que torna o par de sapatos obra é o fato de ele não se referir apenas a um objeto individual. Caso ele aparecesse somente como aquele par de sapatos dado, então, o quadro abandonaria o seu caráter de obra, não apontando para nada além do utensílio que serve.

 

O mundo que aparece no quadro dos sapatos da camponesa é o que os sapatos permitem ver. Esse ver, não se resume, no entanto, ao sapato, embora garanta a ele o seu lugar enquanto tal. Por outro lado, a expressão do ente visível na tela não apela à linguagem conceitual, mas, ao contrário, reenvia o observador ao nível de linguagem do imaginário. Contudo, esse imaginário é prévio à linguagem compartilhada por todos os seres humanos.

 

Para ele, esse quadro, em sua simplicidade, seria capaz de trazer à expressão não só o ser do utensílio sapatos, como também a totalidade do mundo em que este ente se insere e também onde está inserido aquele que os usa. Nesse sentido, não importa se o quadro pensado por Heidegger contém um ou vários pares de sapatos, pois o que interessa ao autor é o fato de que o quadro manifesta o ser desse utensílio em seu sentido e em totalidade.