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Introdução

O presente trabalho intenta fazer uma leitura de um quadro do pintor austríaco Egon Schiele (1890 - 1918), mais especificamente, a obra intitulada: desnudo feminino de 1914, a partir das categorias estéticas presentes na obra A crítica da faculdade do juízo, escrita em 1790, pelo filosofo alemão Immanuel Kant (1724 – 1804).

Iniciaremos com uma breve introdução da vida e obra de Schiele, visando delinear o contexto histórico no qual a obra analisada se insere; em seguida, apresentaremos o escrito kantiano, focando na especificidade de sua terceira crítica, e seu papel na economia do pensamento de Kant. No terceiro momento do trabalho, buscaremos ler a obra escolhida a partir dos conceitos estéticos erigidos por Kant.

 

O nu de Egon Schiele

Schiele pode ser considerado uma das maiores figuras na pintura do século XX. A marca insigne de sua obra são as formas distorcidas e as linhas expressivas, as quais o tornam um dos expoentes do início do expressionismo.

Conhecido por sua série de auto-retratos, que apontam para o tom expressivo presente em sua pintura, Schiele no início de sua carreira recebeu fortes influencias de Gustav Klimt (1862-1918), influencia esta que reverberou em toda sua obra, o que se evidencia nas cores e nos contornos. Porém no decorrer de sua carreira, não só distanciou-se de Klimt, mas também das rígidas regras da academia de pintura, rompendo assim com as posturas artísticas que vigoravam em Viena. Nessa busca por um diferencial na sua obra, Schiele explora juntamente com a forma humana, a sexualidade presente nos corpos, é nesse horizonte que o quadro analisado no trabalho se insere. 

Nessa, época suas obras ganham, juntamente com o caráter erótico, um tom perturbador, que incomodou profundamente não só o público em Viena de no século XX, mas segue, por sua vez, afetando o expectador contemporâneo. 

Na obra analisada Schiele pinta uma modelo nua, com as pernas abertas, em uma postura sensual; as cores transitam de um tom pastel à cores escuras em locais específicos. É figurado um rosto feminino demasiadamente provocador, porém esse tom de provocação não se restringe ao rosto, mas perpassa toda expressão corporal, que convida e intimida o expectador, que se vê incitado por todos os contornos do quadro.

 

Sublime em Kant

A terceira crítica de Kant, intitulada Critica da faculdade do juízo, não é um livro sobre estética, - ainda que tenha sido apropriado pela estética moderna, como um dos seus marcos conceituais - como o título denota, o que está em questão no texto é o Juízo, compreendido como a faculdade de subsumir o particular no geral (conceito).

 Essa terceira obra nasce como uma demanda das anteriores, assim Kant diz no prefácio que só após esse texto seu edifício crítico se via finalmente finalizado. Edifício esse iniciado com a Crítica da faculdade da razão pura, escrita em 1781, essa obra debruça-se sobre os conceitos determinados pelo entendimento, mostrando que conhecimento é necessariamente o encontro entre um conceito e uma intuição. Assim, os conceitos abordados nessa crítica estão conectados à realidade empírica, delimitando o conhecimento ao fenômeno. Em sua segunda crítica, a Crítica da razão prática (1788) o que entra em jogo é uma realidade transcendente -  das idéias da razão, - que enquanto idéias regulativas – Deus, totalidade do mundo, imortalidade da razão – não encontram nenhuma intuição, mas a transcendem e delimitam. Kant percebe o hiato que cria entre suas duas obras, necessitando assim de uma passagem, um termo médio para o encontro de ambas. E encontra esse termo no juízo, abordado em sua ultima obra crítica. Se em suas duas obras anteriores Kant viu-se relacionado com conceitos determinados, ou bem pelo entendimento ou bem pela razão, nessa obra descobre a existência de conceitos mais rudimentares, os conceitos reflexivos, que não possuem uma regra de determinação, mas, antes, devem se dá a regra, pois só possuem o singular. Entre estes conceitos estão os estéticos e os teleológicos.

O trabalho irá abordar o primeiro tipo de conceito, que por sua vez bifurca-se em belo e sublime. Buscaremos ler a obra de Schiele a partir desse último conceito. O belo, segundo Kant, ocorre quando as faculdades, oneradas de suas funções usuais, se vêem inseridas num livre jogo harmônico, ação esta que aumenta nosso sentimento de vida, nos fornecendo o sentimento estético do belo.

O oposto ocorre com o sublime, este não fornece a conforto produzido pela harmonia das faculdades, mas justamente o oposto, um incomodo com algo que transcendem nossas faculdades, mas que num segundo momento, como aponta Kant, é sublimado e superado pela razão. Os exemplos estéticos Kantinos estão sempre relacionados à natureza, o exemplo de sublime, é a reação frente a uma tempestade, que para ser apreciada deve estar necessariamente em uma distancia que propicia ao expectador segurança.  Assim, fica claro que a experiência estética em Kant se imbricada aos fenômenos naturais, o trabalho intenta importar essa categoria a uma obra artificial, ao nu feminino de 1914 de Schiele.

 

O feminino é sublime

Analogamente ao incomodo criado pela tempestade,- exemplo dado por Kant em sua terceira crítica, à experimentação do sublime, - pode ser considerado o afeto criado pelo corpo feminino, mas especificamente o corpo figurado por Schiele. Os corpos femininos pintados de forma pornográfica, em tom grotesco e perturbador viraram o apanágio desse pintor. A sensação de incomodo que propicia sua obra lança o expectador de forma evidente a certo nível de desconforto, mostrando a grandeza e o perigo presente no corpo feminino, representado de forma lapidar na obra abordada.

Como o foco do trabalho é uma aula para o ensino médio, aproximações com o imaginário feminino, e o como este conceito se conecta à noções como perigo, mal e erro, também devem ser abordados na apresentação.  O pavor e desconforto presentes no encontro com a obra denotam um sintoma relativo à nossa relação com o feminino, e o como este passou a ser representado. O conceito de feminino entendido no seu sentido lato. Também interessa mostrar o como este conceito passa a ser sublimado com a racionalidade, buscando delimitá-lo, e circunscrevê-lo por uma discursividade, - temos como exemplo a psicanálise, a antropologia, - assim criam-se formas de saber que buscam apaziguar o caráter irracional presente no feminino.

Esse é o planejamento de aula. Visando assim usar a obra de Schiele para abordar os conceitos da estética kantiana, raiz de nossa estética moderna, e trabalhar também com conceito de feminino, que veio se construindo ao longo dos discursos.   

 

Nu feminino de 1914