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A imagem que escolhemos para desenvolvimento do trabalho é a que retrata o olhar de um cavalo. O autor da fotografia é desconhecido.

 

A questão do olhar, dentro da filosofia, pode ser vista de muitas perspectivas, mas a que adotaremos aqui é a que enxerga no olhar uma forma de expressão que está para além das palavras, dando a um possível interlocutor múltiplas possibilidades de interpretação. A ideia de falarmos a respeito do olhar e, especificamente o olhar do cavalo, surgiu tendo inspiração em uma canção lançada no ano de 2013, pelo músico brasileiro Rodrigo Amarante, a partir da canção homônima ao álbum chamada Cavalo.


 

 

“No olho do cavalo

 

Espelho imaculado


O duplo e eu.

 

 

De espuma, prata e sal

 

A bruma no areal

 

Um véu de cal

 

O fogo frio no cio.”

 

(AMARANTE. Cavalo. 2013)

 

 

 

A letra da canção aponta que o olhar do cavalo nos reflete o semblante de um espelho imaculado. Há muito de pureza no olhar desse cavalo que, apesar de toda a subserviência imposta a ele, e aceita, ainda que involuntariamente, por ele, carrega consigo mesmo uma expressão facial, que ganha ênfase na revelação desse olhar, resignada. O duplo e eu estabelece, ao que nos parece, uma possibilidade de conexão com um Outro que se conecta esse olhar e percebe essa resignação. O véu de cal revela uma ambiguidade: enquanto realidade prima, i.e., enquanto pó, o cal dificulta a maneira de apreensão da maneira de se manifestar do outro, formando um véu que esconde o que há por trás dele; enquanto mistura, quase como uma argamassa, o cal torna-se um véu rígido que, apesar de apenas dificultar a possibilidade de visão do que esconde, é impenetrável.

 

O olhar é o traidor que sempre desvela os mais íntimos segredos de um indivíduo. Tudo que há de fogo frio no cio é exposto pelo olhar. As paixões e os afetos que conseguem escapar de toda a linguagem oral não escapam da apreensão das sentimentalidades humanas via expressão fácil, sobretudo aquela que é evidenciada ao outro pelo olhar. O reconhecimento do outro através do olhar e o nosso reconhecimento pelo outro através de seu olhar é o que nos faz. Somos além do que somos: somos também como aparecemos ao nosso interlocutor.

 

Acreditamos que apontamentos como estes são importantes dentro de um curso de filosofia para que os alunos de ensino médio consigam entender melhor as maneiras de funcionamento do mundo, seja dentro do seu meio social, meio este em que jovens são incluídos ou rechaçados de grupos por conta de sua aparência visual, seja fora dos muros da escola, mundo afora, em que pessoas deixam de conseguir vagas em empregos e são excluídas de determinados ambientes em consequência de sua maneira de se vestir, sua etnia, sua classe social, sexualidade etc. É necessário que se compreenda que toda a subjetividade do indivíduos é vista sempre de maneira objetiva pelos outros.


Acreditamos  também  que  essa  é  uma  forma  de  incentivá-los  a  buscar  formas  de combate ao preconceito.