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A palavra filosofia é dotada de múltiplas significações, assume diferentes sentidos a partir de uma determinada perspectiva. “Amor à sabedoria”, “esclarecimento de conceitos”, “sistema de pensamento”, “modo de vida”, são algumas das denominações habitualmente atribuídas à filosofia. Entre tais significados há um fio condutor que os perpassa e que indica o papel essencial de tal investigação. A razão conduz a filosofia ao estabelecimento de si como campo do saber e a leva a desempenhar uma função educativa na formação intelectual de um indivíduo. Desde os tempos antigos, as investigações filosóficas são associadas ao estudo da matemática, da linguagem e da física, e todas elas, assim como a própria filosofia, estão comprometidas com a racionalidade e a ideia de um conhecimento autêntico sobre a realidade. É interessante notar que por trás da ideia de razão existe uma noção que atravessa a história do pensamento e das ciências em geral. Refiro-me a ideia de luz, que aqui é entendida metaforicamente em sua relação com o conhecimento. Através de um raciocínio luminoso torna-se fácil compreender ou perceber algo, e em consequência disso, chegar a possíveis resoluções de um problema.

Ao longo da história da humanidade, a razão, bem como a filosofia e a ciência, foram compreendidas por diversas maneiras, mediante o tempo histórico e o contexto social em que estavam situadas. De modo análogo, a ideia de luminosidade – em sua concepção metafórica, que fique claro – também sofreu modificações na sua compreensão. Por esse motivo empreendo neste texto o trabalho de indicar sucintamente algumas dessas diferentes posições que surgiram no decorrer da história do pensamento.

Na antiguidade ocidental, durante o período que antecede o surgimento da filosofia, os primeiros raios de luz apareceram nas obras dos poetas gregos Homero e Hesíodo. Na Teogonia de Hesíodo, por exemplo, narrava-se a passagem do Caos originário para um primeiro momento de luz. Posteriormente os primeiros filósofos intensificaram os lampejos iniciais ao se empenharem racionalmente na busca de um princípio fundamental que explicasse a realidade. Heráclito, em particular, exaltou o fogo, com toda a sua intensidade, movimento e luminosidade, como fonte originária de todas as coisas relativas à natureza. No período clássico surgiram os principais representantes da filosofia antiga e com eles uma claridade cada vez mais forte. Sócrates andava pela ágora com a sua maiêutica em punho, “dando luz” as ideias de quem estivesse disposto a dialogar com ele. Platão, por sua vez, formulou o Mito da Caverna – uma das mais belas passagens encontradas na história da filosofia. Através da metáfora do Sol presente neste mito, Platão relacionou a ideia de luz e luminosidade ao verdadeiro conhecimento das coisas. Aristóteles instituiu os princípios lógicos do nosso pensamento, estabeleceu a lógica como ciência e arte do bem pensar e conduzir a razão. A essa altura o pensamento filosófico encontrava-se bastante claro.

Na Idade Média, por razões sócio-históricas e com o advento de uma nova religião, a ideia de luz sofreu um deslocamento do horizonte humano para um modo de ser único e divino. Retomando o mito da criação do mundo, conta-se que Deus (Luz Suprema) deu ao homem uma centelha de sua luz. Santo Agostinho a partir desse princípio elaborou a teoria da iluminação. A luz natural que vive nos homens é reflexo de Deus e esta só acende realmente mediante uma vida dedicada aos preceitos religiosos. Deste modo, o homem se lançaria à possibilidade de alcançar o verdadeiro conhecimento, uma vez que se encontra consciente da Verdade que vive em seu interior.

Na modernidade, o homem – já concentrado na questão do sujeito – retornou ao foco principal de luz. A procura de razões últimas se transferiu do Céu a Terra, em um movimento que relembra o período clássico do pensamento. Descartes, só para citar um, buscava um conhecimento que fosse “claro e distinto”, certo e indubitável. A ciência moderna surgiu como uma espécie de “luz artificial”, propriamente humana, condutora de correntes do pensamento e principal reforço a noção de esclarecimento. No séc. XVIII, a era moderna vivenciou o ponto mais elevado do projeto racional. O Iluminismo, também conhecido como Século das Luzes, representou o cume do esclarecimento e da ideia de luminosidade, não apenas na filosofia, como também nas artes, na literatura e nas ciências como um todo. Se fixou na história como um movimento de valorização do conhecimento e do progresso humano, em oposição a escuridão intelectual, a ignorância e a qualquer objeto obscuro que impedisse a razão de enxergar a realidade de modo transparente. Kant talvez seja o filósofo que melhor ilustra esse momento. Além de possuir um trabalho dedicado ao ideal de esclarecimento, estabeleceu com sua principal Crítica os limites do entendimento, e a partir deles o ápice de ilustração que a razão humana seria capaz de atingir.

O final do séc. XIX marcou a transição do mundo moderno para o contemporâneo. O filósofo essencial para compreender esse período é Nietzsche. Sua crítica apontava para um enfraquecimento das ideias e valores acumulados até aquela ocasião. O pensamento padecia de um esgotamento e a crise dos ideais da modernidade se instaurava como um problema central para a nova era que vinha surgindo no horizonte. O dia já não era tão claro como parecia, e o anúncio da morte de Deus conduziu o homem para uma falta completa de sentido. O Absoluto não tinha mais razão para ser, e o niilismo que se seguiu a partir dele culminou no retorno ao caos, ao indefinido. A era contemporânea passava por um apagão. Uma parte significativa dos filósofos contemporâneos soube pensar a partir da ausência de luz, e é de se admirar que tenham conseguido trazer contribuições esclarecedoras para a filosofia. Outras vertentes do pensamento passaram por essa problemática levando na mão uma lanterna, cuja bateria era alimentada pela linguagem e pela matemática. Ainda assim, não puderam evitar a redução de energia sobre o conhecimento. O ideal de esclarecimento se fragmentou e revelou-se parcial.

 

A luz – e sua metáfora – ainda se mantêm acesas no mundo atual. Desde a sua concepção primitiva até a mais recente, elas continuam a clarear mentes, corpos, seres, viventes. O mesmo pode ser dito sobre a filosofia. Enquanto houver vida e pessoas dadas a refletir sobre ela, este profundo gênero de conhecimento, que faz questão de ir até os lugares mais escuros, continuará a brilhar e a inspirar pessoas de tempos em tempos.