СНПЧ А7 Омск, обзоры принтеров и МФУ

Edward Hopper (1882-1967) foi um pintor norte-americano conhecido por representar a solidão do homem contemporâneo em suas pinturas, Nighthawks é um quadro de 1942, e pode ser traduzido como “Aves da Noite” esse quadro retrata algumas pessoas solitárias em um bar a noite, apesar de estarem na companhia de outras pessoas, não há interação, as pessoas se encontram catatônicas em seus pensamentos e sentimentos. Hopper começou a pintar esse quadro após o ataque a Pearl Harbor, em 1941, o sentimento da nação após esse ataque era de uma profunda tristeza e desesperança, sentimentos que identificamos retratados na pintura em questão. Mas independente dos acontecimentos que geram tristeza, podemos nos perguntar por que a nossa época parece andar de mãos dadas com a melancolia, desolação e solidão são sentimentos presentes na vida do homem contemporâneo, é valido começarmos a nos questionar quais são as raízes desses sentimentos?  Porque eles são tão fortes na atualidade?

No século XIX o filosofo alemão Friedrich  Nietzsche decretou a morte de Deus, menos do que uma posição sobre religião, a celebre frase “Deus está morto” representa uma característica peculiar da modernidade que nos acompanha até os dias atuais, o filosofo percebeu que nós não podemos mais nos orientar por categorias metafisicas, a morte de Deus representa a supressão de toda e qualquer metafisica, a tradição olhou para esse mundo imerso num devir incessante e acreditou que para haver alguma consistência, algum ser, deveríamos apelar para algo estático, fora desse mundo e que o completasse, a tradição enxergou o nosso mundo com uma deficiente ontológica, Nietzsche percebe que esse mundo não possui nenhuma deficiência, e que nós não precisamos de nenhuma categoria ontológica previa para determinar o ser, nosso mundo é fechado e completo, nós não podemos apelar para algo fora dele, como a metafisica pressupõe. Mas ao voltarmos a nossa atenção apenas para o nosso mundo, observamos um devir incessante, tudo se desfaz a todo o momento, se a configuração da nossa existência é estarmos presos no devir, como poderemos ser alguma coisa? Essa pergunta parece ser típica da contemporaneidade e podemos encara-la de duas formas, uma delas é o niilismo, concepção que Hopper representa de forma excelente em suas pinturas, o niilismo é a afirmação do devir pelo devir, não há consistência no nosso ser, tudo se desfaz, e se o nosso mundo é assim, as pessoas não desejam fazer nada, porque tudo vai se desfazer um dia, se não há nada que nos define previamente, se não há nenhuma essência previa ao ser, nós podemos ser qualquer coisa, mas como esse ser não nos é dado, somos nós que devemos encontrar uma determinação para o nosso ser, mas encontrar essa determinação não é fácil, por isso muitas vezes, a proliferação do possível é reduzida ao nada, pelo fato de podermos ser qualquer coisa, nós não podemos ser nada, essas infinitas possibilidades são reduzidas a estagnação do ser, a nadificação do mundo faz com que as pessoas sejam apáticas, tristes, desanimadas e melancólicas, a existência passa a ser uma vida carcomida e sem sentido, a nossa existência parece ter sido completamente separada de configurações necessárias. Nietzsche tenta escapar desse problema, é preciso esquecer o devir, não negando o devir e pressupondo um ser estático ou categorias metafisicas, mas buscando ser no devir, em meio ao caos é necessário encontrar uma consistência, tudo é contingente, mas somos nós que devemos encontrar algo necessário na contingencia e isso depende de cada ser, de cada pessoa particular. Acreditamos que o presente não tem consistência porque tudo se desfaz incessantemente, mas o presente é o espaço onde as coisas acontecem, por mais que as coisas se desfaçam, temos a possibilidade de vivermos presentes mais densos. O problema levantado por Nietzche é: como é possível pensarmos ser no devir? Se o ser não possui mais determinações ontológicas previas, tudo se constitui na relação, não há um ser antes da relação, tudo se determina na própria relação, uma relação é uma multiplicidade com unidade, as relações são contingentes, mas depois que elas se constituem temos a possibilidade de achar algo de necessário naquela figura relacional. É necessário encontrarmos necessidade no devir e essa necessidade é encontrada nas próprias relações, as relações se constituem pelo modo como os elementos relacionais entram na relação e não por características previas. Não somos para além das nossas ações, o que existe são configurações que não possuem consistência ontológica para além do devir (um homem é considerado justo porque pratica atos justos, se ele para de praticar esses atos ele não é mais um homem justo) são as relações que nos determinam, ao ponto de que certa configuração se desfaz, e outra aparece, e essa é a dinâmica da vida do homem, um “entra” e “sai” de relações incessantes.

 

Hopper representa em seus quadros a consequência da supressão da metafisica, suas pinturas possuem sombras que causam um sentimento de melancolia, sentimento que parece estar presente na vida do homem contemporâneo, em Nighthawks a rua está completamente vazia, assim como o sentimento que temos com relação ao mundo, os olhares das quatro pessoas no bar não se cruzam, as pessoas estão reunidas, elas são elementos de uma relação, mas essa relação parece ser só mais uma contingencia, assim como todas as relações ao longo de uma vida, um acaso do devir que logo irá se desfazer e não mudará nada na existência desses personagens, esse quadro representa a nadificação do mundo as ultimas consequências, as pessoas estão tristes e solitárias, até mesmo o casal parece estar distante um do outro, essa pintura representa pessoas que perceberam que o mundo é carente de sentido, mas ao invés de olharem o lado positivo disso e  começar a buscar um sentido para a existência, essas pessoas reduziram o possível ao nada, se não há sentido determinado, não vale a pena tentarmos ser qualquer coisa, a nadificação do mundo gera angustia e uma percepção do vazio que a existência é, no quadro não existe portas de saída para a rua (vemos apenas uma porta que parece  ser para a cozinha) isso pode ser uma metáfora mostrando como as pessoas estão presas em seus pensamentos e seus pesares por causa da afirmação do devir, mas antes de sofrermos pelo fato de não podermos fixar as coisas, devemos aceitar isso e viver todas as nossas relações sabendo que elas irão se desfazer, mas que não é por isso que elas não valeram a pena.