Frida Kahlo é uma pintora Mexicana que vem caindo no gosto popular dos jovens através das redes sociais, principalmente pela representação da sua luta pela vida e seus relacionamentos amorosos conturbados. Uma mulher à frente do seu tempo que retratou em suas obras todo o sentimento que vivia em determinados momentos de sua vida, e apesar de serem obras que fogem dos padrões populares de beleza, eles causam curiosidade pela ousadia de materializar os sentimentos mais íntimo da artista.

Raízes, pertence ao período em que  Frida Kahlo consolidou seu matrimônio com Diego Rivera, quando ela refloresceu e desenvolveu seu potencial artístico. É o período no qual suas obras estão mais acabadas, em que seu trabalho está mais maduro. Nesta obra, Frida aparece recostada na terra. De seu peito e costas brotam plantas, cujas folhas ocupam o primeiro plano da tela. Parece querer transparecer a sua ligação profunda com a terra, com a natureza, evidenciando-se como uma pequena parte desse todo, seu anseio pela comunhão com o mundo e a busca de suas forças através das raízes.

Esta imagem foi escolhida para tratar do tema "Felicidade". A proposta é a de que os alunos possam contemplar a obra e encontrar elementos que possam remeter a ideia de Felicidade. Com isso, o professor pode convidar os alunos a pensar em como esta obra pode ser modificada para reproduzir a ideia de Felicidade do mundo contemporâneo impostos pelas mídias e principalmente pelas redes sociais.

Será que a imagem desta mulher, deitada ao solo fértil, com estas características físicas e com esta expressão em seu rosto, poderia ser usada como parâmetro para a "imagem da Felicidade"?

Podemos iniciar o debate filosófico sobre "O que é a Felicidade?", levando os alunos a refletirem sobre os conceitos filosóficos sobre a Felicidade.

Para Aristóteles, a felicidade está nas práticas e na contemplação das virtudes clássicas da sabedoria, moderação, coragem e justiça. Na Idade Média, este conceito sofre consideráveis mudanças, por ser um período marcado pela força do cristianismo, a Felicidade passa a estar ligada ao pós-morte, na busca pela salvação. Já na modernidade, os avanços científicos vão marcar o conceito de felicidade pelos resultados práticos e tecnológico que a ciência pode oferecer à vida do homem. E no mundo contemporâneo, a ideia de Felicidade fica marcada pelo consumo, pela beleza e pelos prazeres práticos.

A obra de Frida, sendo utilizada para introduzir o debate filosófico sobre a Felicidade, fornece elementos para tratar de pensadores como Conte Sponville, onde a angústia, o vazio e o silêncio, levados a seus limites, tornam possível a felicidade (beatitude), e Espinosa que rejeita a banalização da felicidade, coloca que a felicidade é tão difícil quanto rara, logo não é algo pagável, e não pode ser identificado pela beleza ou pelo sorriso. Assim, os alunos podem experimentar novas expressões da Felicidade que se desprendam dos modelos sociais, sugeririndo outras imagens que possibilitem outras propostas estéticas, mostrando que existe felicidade no exercício filosófico.

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

 

Sobre a Felicidade, Marcos Ferreira de Paula, 2014. Autêntica. Coleção Práticas Docentes.