O existencialismo é uma escola filosófica dos séculos XIX e XX. Nela, o pensamento filosófico é concebido a partir do ser humano como indivíduo, não um sujeito apenas pensante, mas a partir de suas ações, sentimentos e vivências individuais. Teorias gerais sobre o homem tanto como verdades científicas ou metafísicas sobre o universo são postas de lado e a experiência interior ou subjetiva passa a ter maior importância.

A idéia principal no existencialismo é a de que o homem se faz em sua própria existência. São desconsideradas idéias de que ele seria planejado por algo ou alguém para uma finalidade. O homem tem diante de si várias opções possíveis, é inteiramente livre, não se conforma a um predeterminismo lógico. Para Kierkegaard, a verdade não se mostra pelo raciocínio lógico, mas segundo a paixão, que é colocada na afirmação e sustentação dos fatos: a verdade é subjetividade. Como conseqüência da verdade ser subjetiva, a liberdade torna-se ilimitada; assim, não é possível fazer qualquer afirmativa sobre o homem. O pensamento fundamental de Kierkegaard, e que veio a se constituir em linha mestra do Existencialismo, é o de que não existe um projeto básico para o homem verdadeiro, uma essência que defina o homem, porque cada um se define a si mesmo e assim é uma verdade para si. Por isso a frase que sintetiza o pensamento existencialista: "no homem, a existência precede a essência".

 

Sartre, outro filósofo do existencialismo, leva o indeterminismo às suas mais radicais conseqüências. Já que não há nenhum Deus e nenhum plano divino que determina o que deve acontecer, não há nenhum determinismo; o homem é livre. Não pode desculpar sua ação dizendo que está forçado por circunstâncias ou movido pela paixão ou determinado de alguma maneira a fazer o que ele faz. A imagem, uma das gravuras do artista gráfico holandês Escher, mostra duas mãos iguais que, a princípio são desenhos estáticos, mas dão a idéia de que saltam do papel e passam a desenhar a outra. Escher é conhecido pelos seus padrões geométricos e a exploração do infinito. Em “drawing hands”, as duas mãos são idênticas e percebemos que elas só existem pela criação da outra, que na realidade não passa de um “reflexo” seu. As duas mãos são desenhadas simultaneamente, o que nos faz pensar que nenhuma começou primeiro. A idéia de que a única responsável pela imagem da mão que está se criando é a própria mão, que ao mesmo tempo está sendo criada por uma idêntica a ela, e vice-versa, pode nos auxiliar a entender essa corrente filosófica. A imagem é a ilustração da idéia existencialista de que o homem se faz em sua própria existência. O homem desenha a sua própria história a maneira que existe; escreve a si mesmo no momento em que vive e age.