A figura acima vem sendo utilizada atualmente em diversos contextos. Está disseminada como indicadora de áreas monitoradas por câmaras filmadoras de sistemas de segurança, normalmente acompanhada da sugestão "SORRIA! VOCÊ ESTÁ SENDO FILMADO.". Em outras aplicações, a mesma figura surge para simbolizar alegria, felicidade concordância, satisfação, ou seja, estados de bem estar. Esses são os diversos sentidos interpretativos a que somos naturalmente remetidos diante da visão desta figura.

 

Dispomos aqui de uma figura, de uma gama infinita de sentidos, que nos leva a um pretenso estado de coisas que poderíamos denominar felicidade. Da mesma forma que utilizamos a figura apresentada acima, poderíamos, sem nenhum impedimento, arbitrar ou convencionar o uso de qualquer outra figura (ou mesmo: palavras, pinturas, fotografias) para exercer a mesma função de representar, por substituição, algo que desejamos expressar.

 

A figura ou imagem é uma. Os sentidos, os significados pelos quais a mesma imagem pode ser expressa são infinitos. Entretanto, a coisa a que a imagem e suas diversas significações expressam é uma e tão somente uma - a qual podemos denominar referencia e que, pode existir ou não.

 

É sobre a figura ou imagem sob a designação genérica de sinal ou nome e a sua relação com algo existente (referência) mediante as diversas expressões de sentido (pensamento) que Gottlob Frege tratou em sua obra "Lógica e filosofia da linguagem".

 

Fazendo uso das terminologias de Frege para analisar a figura apresentada, diríamos que a mesma constitui um sinal substitutivo do referencial (estado de felicidade) que pode ser expresso por diversos significados (alegria, felicidade, bem estar, concordância, etc.) que são os pensamentos expressivos em conformidade com a linguagem corrente de quem anuncia ou expressa o que vê.

 

Estabelece Frege que a existência da referência não é essencial para a comunicação. O essencial é que o sinal seja capaz de ser interpretado por meio de sentidos, ou seja, que sejamos capaz de lhe atribuir um significado. Isso se dá porque Frege entende que o questionamento sobre a existência ou a inexistência da referência constitui um passo mais avançado do processo de interpretação da linguagem. Há situações em que a existência da referência é essencial para o valor da linguagem (conceito de valor de verdade - o que o sinal expressa indica duas possibilidades: ou a referência existe ou a referência não existe.). Por outro lado, há situações em que não se deve, em hipótese alguma, se cogitar sobre o valor de verdade do que está sendo expresso, devendo-nos ater, tão somente, no nível do significado (quando lidamos com interpretação de obras de ficção: leitura de poemas, romances, interpretação de obras de arte em geral.). Assim,

 

 

 

Ao ouvir um poema épico, além da eufonia da linguagem, estamos interessados apenas no sentido das sentenças e nas imagens e sentimentos que este sentido nos evoca. A questão da verdade nos faria abandonar o encanto estético por uma atitude de investigação científica. Daí decorre ser totalmente irrelevante para nós se o nome "Ulisses", digamos, tem referência, contanto que aceitemos o poema como uma obra de arte. É, pois, a busca da verdade, onde quer que seja, o que nos dirige do sentido para a referência. (FREGE, 2009, pág. 138)

 

 

 

Dessa forma, a exigência do critério de verdade recai nas situações da linguagem cotidiana quando presumimos a veracidade do que nos é dito toda vez que atribuímos credibilidade ao nosso interlocutor ou, por outro lado, quando lidamos com questões que exigem a perfeita adequação do sinal com a referência (assuntos científicos e filosóficos).

 

 

 

 

 

Conclusão

 

 

 

A verdade não é requisito para a comunicação perfeita. Constitui uma de duas alternativas possíveis do critério de verdade (o verdadeiro e o falso) o qual, por sua vez, somente é requerido de acordo com as necessidades da comunicação. A imagem apresentada neste trabalho demonstra o quanto é possível simplificar por sinais, nomes e imagens a representação de referências.

 

 

 

 

 

Referência Bibliográfica

 

 

 

FREGE, Gottlob. Lógica e filosofia da linguagem. 2ª Edição ampliada e revista. São Paulo: Edusp, 2009.