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INTRODUÇÃO

 

Neste trabalho procuraremos mostrar a relação entre filosofia e literatura através da análise de alguns temas filosóficos contidos na obra literária de Machado de Assis intitulada Dom Casmurro. Esta obra foi escolhida por ser uma leitura de fácil compreensão, além de contar uma história fascinante. Os temas abordados a partir deste livro será a metáfora - utilizadas na narrativa - assim como o estudo na noção de aparência e verdade e o pessimismo.

 

 

 

RESUMO

 

 

 

A história do livro começa pelo final e desenvolve-se toda em memória; D. Casmurro, já velho e solitário, tenta recuperar através da memória, as lembranças queridas e marcantes de sua infância e adolescência: o amor por Capitu, o medo do seminário; a ligação com a mãe viúva e com os familiares; os amigos; o casamento feliz e depois desfeito - enfim a transformação do menino puro, ingênuo, feliz (Bento Santiago) no velho solitário, frustrado e infeliz Dom Casmurro.

 

O narrador explica a origem do seu apelido e a necessidade do livro: o primeiro foi-lhe atribuído durante uma viagem de trem, por um poeta magoado pela pouca atenção dada a seus versos o chamou em tom irônico de Casmurro que significa calado ou metido consigo. O apelido pegou e virou piada entre amigos.

 

Quanto ao livro, foi uma necessidade de atar as duas pontas da vida e restaurar a velhice e a adolescência: D. Casmurro manda reproduzir, no Engenho Novo, a casa de sua infância, na Rua de Matacavalos, porém, não consegue reencontrar-se consigo mesmo. As esculturas clássicas, em baixo relevo, na parede, sugerem-lhe que reviva suas memórias através de um livro. Ele se propõe à tarefa.

 

Quando Bento Santiago nasceu, a mãe prometeu que o daria como padre à Igreja se ele crescesse saudável (ela havia perdido um outro filho antes dele); o pai faleceu em seguida e D. Glória criou o menino entre carinhos e mimos. Na casa, ficaram os adultos e seus problemas: a mãe viúva, ainda bonita, a prima Justina, o tio Cosme também viúvos além de José Dias, um agregado, que sempre gostou de usar palavras no superlativo.

 

No início da adolescência, ainda em casa porque a mãe hesitava em mandá-lo para o seminário, Bentinho se apaixona pela vizinha Capitu, que eram amigos desde a infância e ela se apaixona por ele.
Alertada por José Dias, D. Glória resolve mandar o filho ao seminário. Bentinho e Capitu são separados para a grande tristeza de ambos. Mas no seminário, Bento Santiago conhece Escobar Ezequiel, que lá estava para estudar para o comércio, os dois se tornam grandes amigos e confidentes. Escobar lhe sugere que fale com a mãe para pedir ao bispo uma troca: Bentinho deixaria o seminário e D. Glória mandaria a um menino órfão para estudar no lugar de Bentinho.

 

E assim foi feito. Livre para o amor de Capitu, Bento vai para São Paulo estudar Direito e de lá volta formado. Casa-se com Capitu no mesmo dia que Escobar casa-se com Sancha, a amiga de colégio de Capitu.

 

Desde o início da narrativa, Bento Santiago dissemina no leitor a desconfiança. Para tanto, conta episódios em que Capitu é vista como dissimulada (o beijo, o jogo do sério…). Cria, a cada capítulo e com genial maestria, a desconfiança do leitor que, por fim, há de lhe dar razão quanto à traição da mulher.

 

Casados, não tinham filhos. Sancha e Escobar têm uma menina que, em homenagem à amizade, recebe o nome de Capitolina.
Capitu engravida finalmente e nasce Ezequiel. É aí que começa a tormenta para Bentinho, o menino se assemelhava cada dia mais, ao amigo Escobar.

 

Um dia, tomado pela obsessão do ciúme, resolve ir à cidade e comprar um veneno para se matar. Mas também vai ao teatro e vê Othelo, de Shakespeare, drama que trata da ruína que a desconfiança faz nas criaturas. Ao voltar, depois de oferecer numa xícara de café o veneno ao pequenino Ezequiel e arrepender-se na última hora, briga com Capitu que o surpreende a dizer a Ezequiel que não é o pai dele. Por fim, vão Ezequiel e Capitu para a Suíça, num exílio imposto pelo marido desconfiado e infeliz.
Capitu morre e é enterrada na Europa; Ezequiel, já adulto, vem visitar o pai que o trata friamente, pois ele percebe que o filho está idêntico a Escobar quando mais moço reforçando assim suas desconfiança de que Ezequiel é filho de Escobar e não seu. O menino, ao voltar para as escavações no norte da África, padece de uma febre.

 

Resta-lhe saber se a Capitu adulta da Praia da Glória estava já dentro da de Matacavalos, como a fruta dentro da casca. Atribui ao destino o fato da primeira amiga e do maior amigo terem-se juntado para enganá-lo. Resolve preencher o tempo escrevendo algo mais suave: sua História dos Subúrbios.

 

 

 

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

 

 

 

 

Na obra literária Dom casmurro, a narrativa é feita em primeira pessoa, esta é o personagem que dá titulo ao livro, Bento Santiago que ficou conhecido por Casmurro graças a uma atribuição feita por uma pessoa que o achava metido e calado, depois foi adicionado ao apelido título de Dom mostrando uma forma elegante. Em sua narrativa o personagem principal conta sua própria história voltando com sua memória ao passado, ao contar a história, ele faz o uso de inúmeras metáforas que aqui podemos relacionar com o uso da metáfora pela filosofia, através da obra Arte Retórica e Arte Poética de Aristóteles.

 

A partir da obra de Machado de Assis também poderemos observar algumas passagens que possibilita fazer uma analise com o tema filosófico sobre a aparência e a verdade tratadas na alegoria da caverna contada por Platão em seu livro A República além do estudo sobre o pessimismo que poderemos relacionar com o tema contido no livro de Schopenhauer O Mundo Como Vontade e Representação.

 

 

 

ANÁLISE DO LIVRO (Adaptada para o Ensino Médio)

 

 

 

  • Metáfora

 

 

 

Podemos identificar o uso da metáfora na obra de Machado de Assis em diversas partes do texto intitulado Dom Casmurro, podemos perceber o uso da metáfora logo no início da história quando Casmurro decide reconstruir sua nova casa a imagem da casa antiga da Rua Matacavalos, onde se passou toda sua história de infância. A reconstrução da casa constitui-se em uma metáfora de reconstituição da própria vida, numa tentativa de se atualizar e recontar sua história até os dias atuais. Os nomes dos personagens principais também podem ser entendidos como um uso metafórico que Machado de Assis emprega; Bento Santiago, seu nome já sugere alguns traços de personalidade (Bento + Santiago) - abençoado e predestinado pela mãe ao sacrifício religioso, ele cresce como um menino super-protegido pela mãe, é ingênuo, inseguro e submisso tanto a mãe como a Capitu.

 

Quanto a Capitolina, seu nome lembra a palavra captólio, o templo onde os romanos cultuavam seus deuses, também lembra a apalavra capitã, aquela que comanda. O uso de metáforas é mais corrente na definição que Bentinho faz de Capitu, como a expressão sobre os seus olhos que ele chama de “olhos de ressaca”, quando ele se sente atraído fortemente pela força de seu olhar ou “olhos de cigana oblíqua e dissimulada” fazendo uma alusão a sua capacidade de dissimular e se safar de situações comprometedoras (como quando seu pai quase surpreende os dois se beijando no quintal de sua casa e Capitu disfarça perfeitamente o que havia acontecido antes da entrada do pai).

 

Quanto à visão filosófica, podemos comparar com a visão de Aristóteles; lembrando antes que a metáfora é uma figura de estilo que possibilita a expressão de sentimentos, emoções e idéias de modo imaginativo e inovador por meio de uma associação de semelhança implícita entre dois elementos. Aristóteles foi o primeiro a abordar o tema da metáfora, identificando-a como termo genérico que abarca todas as figuras retóricas em geral. Segundo ele, a metáfora é:

 

 

 

"(...) o transporte a uma coisa de um nome que designa um outro, transporte quer do gênero à espécie, quer da espécie ao gênero, quer da espécie à espécie ou segundo a relação de analogia".

 

(Aristóteles Arte Retórica e Arte Poética,)

 

 

 

Para o filósofo, a metáfora é aplicada no nome ou na palavra, este é objeto de uma transformação de um nome para outro com o mesmo significado. Ela surge como uma substituição de uma palavra ou expressão por outra de sentido figurado.

 

 

 

  • Aparência e Verdade

 

 

 

Sobre a noção de aparência/essência e verdade/mentira, podemos perceber sua aparição em Dom Casmurro, quando Bentinho começa a desconfiar da traição de Capitu e seu amigo Escobar. Bentinho casado com Capitu tem um filho a quem eles dão o nome de Ezequiel. Este enquanto vai crescendo vai lembrando cada vez mais Escobar, seja na aparência física ou trejeitos, o que faz com que Bentinho acredite que Ezequiel na verdade é fruto da traição de Capitu e Escobar e não seu filho. Quando mais moço, Ezequiel volta do exterior para visitar seu pai, Bento se espanta com sua incrível semelhança com Escobar, o que para ele se torna prova suficiente de que Ezequiel na verdade não era seu filho e sim de Escobar, comprovando então a traição de Capitu. Assim para Bento Santiago a aparência de seu suposto filho era a prova suficiente que atestava sua desconfiança, aqui a aparência mostrava a verdade para ele – Capitu o traíra com Escobar e Ezequiel era filho dos dois. No entanto, em outra parte do texto, Bento se lembra de quando era mais novo e a amiga de Capitu, Sancha adoeceu. Ele foi visitá-la em sua casa e viu um retrato da mãe de Sancha, o pai da menina lhe chamou a atenção para a semelhança da mãe da menina com Capitu. Este acontecimento mostra que a semelhança (aparência) entre as duas era grande e, no entanto mera coincidência. Logo podemos nos perguntar se Bentinho poderia realmente concluir pela a semelhança (aparência) de seu filho com Escobar que eles realmente têm um grau de parentesco, isto é, que eles realmente eram pai e filho?A partir do que lhe apareceu ele poderia tirar conclusões verdadeiras?

 

Sobre a questão da essência e aparência e sobre o conhecimento da verdade Platão fala, na Alegoria da Caverna situada no seu livro A República. Nesta alegoria Platão conta a história de alguns homens que passaram toda sua vida presos em uma caverna, acorrentados de modo que não poderia girar seu pescoço e ver as coisas ao seu redor, a única coisa que eles poderiam conhecer eram as sombras das coisas refletidas na parede da caverna a sua frente. Então um homem conseguiu se libertar da caverna e conheceu o mundo verdadeiramente e viu que aquilo que ele conhecia na caverna eram apenas como as coisas apareciam para ele e não verdadeiramente como elas são. Quando ele voltou para falar com os outros homens que continuaram presos sobre verdade, eles não quiseram acreditar nele e preferiram continuar dando veracidade àquilo que eles continuavam a ver, ou seja, acreditavam somente como as coisas apareciam para eles como sombras.

 

Suponhamos uns homens numa habitação subterrânea em forma de caverna, com uma estrada aberta para a luz, que se estende a todo o comprimento dessa gruta. Estão lá dentro desde a infância, algemados de pernas e pescoços, de tal maneira que só lhes é dado permanecer no mesmo lugar e olhar em frente; são incapazes de voltar a cabeça, por causa dos grilhões...”

 

(Platão, A República.)

 

Com este exemplo, podemos entender que Platão quis dizer que nem sempre a essência ou a verdade das coisas está contida na aparência e que não podemos chegar a uma veracidade dos fatosapenas nos guiando por aquilo que nos aparece, isto é, a aparência nem sempre diz a verade sobre as coisas.

 

  • Pessimismo

 

No romance Dom Casmurro, podemos perceber diversos traços pessimistas através da análise do personagem principal Casmurro/ Bentinho. Este no início da trama se mostra como um jovem inseguro e submisso, totalmente dependente da mãe e depois de Capitu. Mais tarde, já casado com Capitu ele se torna um homem ciumento e magoado que tenta se justificar mostrando sua visão de mundo totalmente pessimista. Casmurro conta a história de sua vida de forma dramática, amargurada e ressentida. Esse sentimento começa quando o seu ciúme da esposa se torna algo que nem ele mesmo consegue controlar, que não consegue lutar contra ele e é tomado inteiramente, deixando transparecer os traços de seu comportamento amargo e pessimista como:o excesso de subjetividade, emocionalismo, uma descrença em relação a todos e um negativismo existencial . Fazendo um paralelo com a filosofia e Schopenhauer, podemos entender que o comportamento de Casmurro se encaixa na teoria pessimista de Schopenhauer.

 

Para o filósofo, o mundo é constituído de vontade e representação. A representação é como as coisas aparecem para nós e a vontade é a essência das coisas e do mundo. Mas esta vontade é algo angustiante por ela é um sentimento de falta que nunca consegue ser sanado completamente, se tornando assim puro sofrimento. Como esta vontade é a essência das coisas e do homem, o homem é também este sofrimento, assim como a vida e o mundo. Quando nossa vontade é atendida surge então um alívio momentâneo, mas logo em seguida surge um sentimento de falta ainda maior causando um sofrimento ainda mais forte, por isso sua filosofia é conhecida como uma filosofia do pessimismo, pois se a essência do mundo e de todos nós é essa vontade angustiante e esta vontade e o sofrimento causado por ela é eterno, então nossa vida é um eterno sofrimento.

 

Para cada desejo satisfeito, dez permanecem irrealizados (...) Satisfação duradoura e permanente objeto algum do querer podem fornecer; é como uma caridade oferecida a um mendigo, a lhe garantir a vida hoje e prolongar sua miséria ao amanhã. Por isto, enquanto nossa consciência é preenchida por nossa vontade, enquanto submetidos à pressão dos desejos, com suas esperanças e temores, enquanto somos sujeitos do querer, não possuiremos bem-estar nem repouso permanente.”

 

(Schopenhauer, O Mundo Como Vontade e Representação)

 

Através desta explicação podemos perceber que Bentinho ao atender sua vontade de sair do seminário, casar com Capitu e ter um filho fruto desse casamento, se sente recompensado e feliz por um instante, até a força de sua vontade aflorar novamente de uma forma mais forte e angustiante - aqui a força da vontade pode ser entendida com o ciúme descontrolado de Bentinho por Capitu, destruindo toda a felicidade deles - o que o leva a um sofrimento eterno.

 



 

CONCLUSÃO

 

A partir deste presente trabalho podemos ver como podemos ver como é possível utilizar uma obra literária numa ferramenta que auxilie uma aula de filosofia, retirando da obra diversos temas que ilustrem os temas filosóficos tornando o conteúdo da disciplina mais fácil de ser entendido, além de instigar a curiosidade literária e filosófica no aluno.

 



 

BIBLIOGRAFIA

 

-ASSIS, J. M. Machado de. Dom Casmurro. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1992. v. 1

 

 

-ARISTÓTELES, Arte Retórica e Arte Poética. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1959.

 

-PLATÃO. A República, tradução de Pietro Nassetti, São Paulo: Martin Claret, 2006.

 

-SCHOPENHAUER, Arthur.O Mundo como Vontade e Representação, tradução de M.F. Sá Correia, Rio de Janeiro: Contraponto, 2001.