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 Resolução da avaliação proposta

 

O filósofo por nós escolhido para tratarmos das relações entre Filosofia e Literatura foi Sören Aabye Kierkegaard, dinamarquês, nascido em Copenhague, em 1813, vindo a falecer em 1855. Gostaríamos de não nos limitarmos a uma obra específica, mas traçar em linhas gerais o modo como a literatura se relaciona com seu pensamento filosófico, percorrendo um pouco de sua vasta obra.

 

A literatura é um fator determinante na obra de Kierkegaard, primeiramente em sua forma de trabalhar os conteúdos filosóficos. Como Nietzsche, Sartre e Camus, utiliza-se do expediente do romance como forma de expor suas idéias filosóficas. Isto se dá, por exemplo, em sua obra Temor e Tremor, em que reconstrói de forma belíssima a história de Abraão quando foi sacrificar seu filho Isaque no Monte Morija e a partir daí desenvolve toda sua questão filosófico-teológica a respeito da moralidade e da fé, como um romancista, pregador e filósofo. A literatura como forma assumida no fazer filosófico é ainda mais clara em O Diário de um sedutor, romance epistolar, nos moldes de Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Goethe, em que Kierkegaard desenvolve sua concepção de vida estética, uma das “estações na estrada da vida”. Há em sua obra também uma espécie de romance autobiográfico, um libreto intitulado Johannes Climacus ou É Preciso Duvidar de Tudo. Esta sua opção pela literatura, pela forma romanceada de escrever é fruto, em grande parte, de sua oposição ao sistema, à sistematização do pensamento filosófico, principalmente à sistematização realizada por Hegel, a quem se opõe vivamente.

 

O recurso a citações de obras literárias é frequente em suas obras, mesmo naquelas mais “sistemáticas”, isto é, que fazem uma abordagem mais objetiva das questões filosóficas. Elas possuem uma dupla função, a de ilustrar o que está sendo dito ou de servir de apoio ao seu argumento, como comumente faz outro filósofo, Arthur Schopenhauer, lido por Kierkegaard e comentado em seus Papirer, seus diários (KIERKEGAARD, 1960, p. 56-61, 69, 72-75, 172-173). Entre os autores que cita, encontram-se Goethe, Shakespeare e Byron, além de uma gama ampla de autores clássicos (gregos e romanos). Nisto se revela seu gosto por literatura e sua inserçaõ em sua obra filosófica. Alguns exemplos do que afirmamos podem ser encontrados em Migalhas filosóficas ou Um Bocadinho da Filosofia de João Climacus (p. 82), que trata da questão da verdade (numa perspectiva cristã, oposta à socrática), O Conceito de Angústia (p. 192, 196), onde desenvolve suas concepções sobre a angústia e o pecado original e O Desespero Humano (Doença até a Morte) (p. 355, 367, 404, 418), que trata da questão do desespero e do pecado.

 

Os paralelos que podemos ver acima entre questões filosóficas e teológicas, percorrem toda sua obra, que diz ser, no Ponto de Vista Explicativo Sobre minha Obra como Escritor, estritamente religiosa (p. 22). Mostram mais uma face de sua interação com a literatura, especificamente a literatura religiosa. Luterano de nascimento e formação, tendo contato também com o pietismo, Kierkegaard se utiliza constantemente da Bíblia em sua obra. Sendo questão controversa sua confissão religiosa, não a discutiremos, até mesmo pelos fins propostos, mas gostaríamos de ressaltar como lhe influenciou literariamente. Além das constantes citações da Bíblia, faz um uso constante de parábolas e sermões escritos em sua produção filosófica. As Obras do Amor, conjunto de sermões não proferidos, que chamava de “discursos edificantes”, são exemplo da influência da literatura religiosa, como A Imitação de Cristo, de Tomás de Kempis. As parábolas, também aí presentes, também se encontram outras obras, com Migalhas Filosóficas (p. 48), sempre misturadas a analogias, metáforas, mitos e alegorias, frutos de suas influências religiosas e de sua formação clássica.

 

Desta forma, podemos ver como se dão as relações entre Literatura e Filosofia no Corpus kierkegaardiano, numa perspectiva ampla, mas que não deixa dúvidas da importância da literatura em sua formação e na construção de seu pensamento filosófico.

 

BIBLIOGRAFIA

 

KIERKEGAARD, S. A. O Conceito de Angústia. 2 ed. Lisboa: Editorial Presença, [s.d.].

 ___________________. Diário de Um Sedutor; Temor e Tremor; O Desespero Humano (Doença até a Morte). São Paulo: Abril Cultural, 1974. (Os Pensadores, XXXI)

 ___________________. Johannes Climacus ou É Preciso Duvidar de Tudo. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

 ___________________. Journal V (Extraits) – 1854-1855. Paris: Gallimard, 1960.

 ___________________. Migalhas Filosóficas ou Um Bocadinho da Filosofia de João Climacus. Petrópolis: Vozes, 1995.

 ___________________. As Obras do Amor. Petrópolis: Vozes, 2005.

 ___________________. Ponto de Vista Explicativo Sobre minha Obra como Escritor. Lisboa: Edições 70, 1986.